A visão osteopática sobre a infertilidade

A gravidez é um dos momentos mais esperados por milhões de mulheres e homens, pois isso representa o início de uma família e também a perpetuação de seus genes para outras gerações.

Para ela coexistir, necessita de vários fatores perfeitamente coordenados no tempo: liberação de um óvulo desde o ovário até a trompa, a presença de espermatozoides móveis nas imediações do óvulo, a existência de uma trompa funcional para propulsar o ovócito já fecundado e a condução do embrião resultante até o útero. Além da integridade funcional dessas estruturas acima, um complexo sistema hormonal deverá desencadear os mecanismos do ciclo ovulatório feminino que promoverá: a menstruação, fase folicular e ovulação e, por último, a nidificação do embrião no endométrio. Qualquer alteração nesses mecanismos, como também outros que afetem o homem, a mulher ou do casal, podem causar dificuldades na concepção ou dependendo da gravidade do caso, a esterilidade.(1) Outros fatores que podem influenciar a infertilidade ou esterilidade seriam: o meio ambiente, a nutrição, o stress, patologias pré-existentes e muitas vezes os conflitos biológicos. 

A infertilidade conjugal é definida como incapacidade de engravidar após um ano de atividades sexuais regulares sem o uso de qualquer método anticoncepcional. Estima-se que cerca de 10 a 15% dos casais apresentem problemas para conceber. Os fatores causais masculinos e femininos contribuem isoladamente com cerca de 35% das causas, sendo o restante atribuído a fatores inexplicados (10%) ou a associação de causas masculinas e femininas (20 a 30%),(3)

A dificuldade para engravidar pode surgir de um problema masculino, feminino, ou de ambos. A infertilidade masculina geralmente é resultante de uma baixa produção de espermatozoides ou alta produção de espermatozoides anormais. A infertilidade feminina pode ser mecânica (tubas uterinas bloqueadas ou outros problemas estruturais) ou hormonal, levando a diminuição ou ausência de ovulação. Um problema envolvendo ambos os parceiros é a produção de anticorpos contra os espermatozoides pela mulher. Além disto, nem todas as gestações terminam com sucesso. Segundo algumas estimativas em torno de um terço de todas as gestações terminam espontaneamente, muitas durante as primeiras semanas, antes da mulher estar ciente de que está grávida. (5)

As aderências e outras consequências das infecções urogenitais frequentemente interferem com a fertilidade, especialmente porque essas doenças se tornam mais comuns e de difícil tratamento. A manipulação osteopática muitas vezes pode ser bem sucedida para ajudar a aliviar a dor que esses problemas podem causar.  Algumas vezes podemos até ajudá-los a recuperar a fertilidade.(2)

O bom funcionamento do corpo, a homeostasia e a saúde global dependem entre outros aspectos, dos movimentos em todas as suas possibilidades e vertentes, micro e macroestrutural. (4)

A infertilidade é um resultado e não uma patologia, e como todas alterações, para que isto ocorra, é necessário a quebra da homeostase.

           A homeostase é a capacidade do organismo de se manter constante, para que suas funções e reações químicas essenciais não sejam influenciadas e permaneçam dentro dos limites aceitáveis à manutenção da vida e depende da interação do homem com o meio em que ele vive. Quando ocorre algo em que há uma quebra dessa homeostasia no organismo, o resultado é a doença. Essa pode ser o resultado de um desequilíbrio em 3 meios:

  • Físico: é a relação física do homem com o meio em que vive, os traumas diretos e indiretos, traumas agudos ou crônicos, sequelas de cirurgias, ambiente físico, entre outras coisas;
  • Nutricional: é toda a relação nutricional do homem, a qualidade, quantidade, hábitos de higiene na alimentação, consumo de toxinas, consumo de água, o que se inala, entre outras coisas;
  • Emocional: é como o homem processa os “traumas” que irão impactar sobre os tecidos embrionários do cérebro (endoderma = tronco cerebral, mesoderma antigo = cerebelo, mesoderma novo = substância branca e ectoderma = córtex) devido aos seus “arquivos” vivenciados e suas reações perante o mesmo.

Essa quebra de homeostase do homem pode levar a alterações que resultarão na doença, essa irá afetar os sistemas que compõe e influenciam o corpo:  sistema musculoesquelético, sistema postural, sistema visceral, sistema craniano e sistema biológico.

Esses sistemas estão correlacionados e podem ser geradores de disfunções. 

O osteopata, como prático no atendimento primário, utiliza todas as abordagens terapêuticas e diagnósticas que atendem melhor esses princípios e promovem, suave e funcionalmente, de maneira mais eficaz possível, a homeostase local e sistêmica. 

Na osteopatia estudamos o “por que” que a paciente não engravida. Abordamos quais alterações estão levando a essa quebra do equilíbrio  e buscando as correlações  dos sistemas que estão envolvidos. Consideramos que o padrão ativo é a infertilidade e o padrão oculto seriam os sistemas implicados e correlacionados que impedem a gravidez. 

Abordagem osteopática sobre o Meio Físico:

Quando não se tem a gravidez desejada, abordamos os órgãos principiais do sistema visceral envolvidos, como o  útero, ovário e trompas. Porém, esses órgãos estão contidos na pelve, que faz parte do sistema músculo esquelético. São suspensos por seus ligamentos, como ligamento largo do útero, ligamento redondo, ligamento útero ovárico, ligamento suspensor do ovário e esse também reveste e protege  a artéria ovárica, que irá nutrir os ovários. 

O assoalho pélvico contém seus  músculos, como o músculo elevador do ânus, piriforme, obturador interno e coccígeo e esses músculos mantêm o útero e os anexos  em sua posição fisiológica e faz parte do diafragma pélvico. No sistema músculo esquelético a posição e função das estruturas ósseas também são de relevância. Uma disfunção sobre o cóccix, por exemplo, pode repercutir sobre todo o assoalho pélvico, pois esse osso, direciona a posição dos ósteos: anal, vagina e uretral. Como uma disfunção sobre sacro também pode repercutir sobre o sistema visceral pélvico, não só sobre o contentor ósseo do sistema visceral, mas pela emergência dos nervos esplâncnicos pélvicos que fazem a inervação parassimpática das vísceras pélvicas. A inervação simpática dos ovários emergem sobre L1/L2 e controlam o angioespasmo das artérias  que irão irrigar os ovários, fornecendo a esses, os hormônios provenientes do sistema hormonal. Devido a isto é de grande importância averiguar o sistema arterial e sua correlação com o seu controle neural e do sistema nervoso autônomo. 

O sistema hormonal deve ser abordado também. Nesse sistema, as glândulas prioritárias são o hipotálamo, que irá desencadear a ativação das células neuronais sobre a hipófise, e com relação a infertilidade, a atuação da hipófise anterior com relação aos seus hormônios, FHS (folículo estimulante) e LH (hormônio luteinizante), são os principais que irão atuar sobre o sistema reprodutor. 

O FSH, proporcionará a maturação dos folículos nos ovários nas mulheres e espermatozoides nos testículos e o LH irá estimular a formação dos hormônios progesterona, estrogênio e inibina nos ovários e testosterona nos homens. Isso é essencial para promover todo o ciclo reprodutivo nas mulheres e homens. Por isso, o osteopata pode abordar o sistema hormonal, através de seu fluxo sanguíneo, desde do Polígono de Willis, que nutre a hipófise, o sistema membranoso craniano e suas relações ósseas, principalmente com uma abordagem sobre o osso esfenoide. 

Abordagem osteopática sobre a nutrição: 

Todos os sistemas estão correlacionados. O consumo de substâncias que alterem as funções metabólicas e orgânicas podem resultar na infertilidade. A maior parte das doenças, condições degenerativas, disfunções cerebrais, alterações de peso e até mesmo a infertilidade, são decorrentes de processos inflamatórios. Esse é um processo de cura natural do organismo, em que o sistema imunológico é temporariamente reforçado para lidar com uma agressão ou ferimento. Liberando substâncias químicas pertinentes a esse sistema de defesa, que muitas vezes são nocivas as células, levando a disfunção e destruição celular. A saúde do microbioma intestinal influência o funcionamento do sistema imunológico, os níveis inflamatórios e o risco de doenças (6), como a endometriose, alterações hormonais que colaborariam para a dificuldade de engravidar.  De maneira resumida, o intestino delgado e fígado são as principais vísceras e órgãos que podem alterar os hormônios, repercutindo sobre glândulas como tireoide e suprarrenais.

Por exemplo: A ingestão de uma xícara grande de café ao dia, diminui em 50% a possibilidade de gravidez, segundo estudos em 100 mulheres, reportada pela revista Lancet na Inglaterra. Outro estudo revelou que 1.000 mulheres tiveram dificuldade para conceber e umas 4.000 mulheres que pariram recentemente, segundo pesquisadores norte americanos, consumiam café, tiveram dificuldade para engravidar.(7)  Essa pesquisa sugere que o consumo de cafeína aumenta os riscos de desenvolver endometriose ou enfermidades das trompas uterinas. 

Outras substâncias inflamatórias comumente consumidas que acidificam o organismo são: o açúcar, glúten, refrigerantes, lácteos, medicações, entre outros.

Abordagem osteopáticas sobre os conflitos biológicos: 

Já é conhecido e amplamente estudado que há integração corpo e mente há anos por várias áreas biológicas. 

Uma das abordagens que uso nos conflitos biológicos, é sob a ótica proposta pelo Dr. Ryke Geerd Hamer, médico alemão, que nos anos 80, após a perda do filho e embasado na biologia confirmou que a origem das doenças era no cérebro. Criou as 5 Leis Biológicas.(8)

As 5 Leis Biológicas Naturais do Dr. Hamer, explica como os fatos traumáticos geram estratégias de defesa no organismo, proporcionando ao corpo uma forma de resolver esses eventos. A origem das doenças era no cérebro e o corpo a sua manifestação. 

Primeira lei biológica

A primeira lei refere-se que a doença corpórea é resultado de um conflito biológico. Ocorre um “choque” um “trauma” que afeta a de forma inesperada e abrupta. Esse processo foi nomeado de DHS -Síndrome de Dirk Hamer, em homenagem ao filho do Dr. Hamer que foi assassinado.

Segunda lei biológica

Após o “trauma”, ocorre uma alteração de pensamentos repetititvos no período de conflito que é diretamente influenciado pelo sistema nervoso autônomo simpático. Quando o conflito é resolvido, acontece a fase de reparação com alterações fisiológicas e influenciado pelo sistema nervoso parassimpático, com o agravamento da inflamação, cansaço, alterações na pressão cardíaca e também nos tecidos.

Terceira lei biológica

Essa lei é definida pelas modificações fisiológicas sofridas por cada tecido, também chamada de Sistema Ontogenético dos programas especiais de Sentido Biológico (SBS).

Quarta lei biológica

A quarta lei biológica estabelece que nem sempre as doenças são causadas pelos micro-organismos, também chamada de Sistema Ontogenético dos micro-organismos.

Quinta lei biológica

Segundo a quinta lei biológica, as doenças são instintos de sobrevivência.

Com relação ao sistema reprodutor as estruturas que estariam implicadas na infertilidade seriam:

Útero endodérmico

 Conflito: Não se sentir segura no habitat, o ninho não está seguro para se ter um filho. Tem um relacionamento com um homem que bebe, homem que não tem trabalho, não ter um ninho próprio.

Não poder reter o fruto da fecundação (endométrio).

Situação desagradável, feia, suja, fora das normas, de um padrão moral com uma pessoa masculina. 

Perda reprodutiva.

Quando se perde um filho até 3 meses de gestação é o mesmo programa, após 3 meses o conflito é por angústia do bebê (várias recidivas). Querer ter um ninho e ser impedida de alguma maneira.

Ovários: Conflitos que afetam o ovário:

Ovário endodérmico:

Conflito: é um conflito de perda de um elemento do grupo ou ninho.

Sentido biológico: com a perda, há necessidade de criar novamente, de “repor o que foi perdido”, então produz-se mais folículos maduros.

Ovário mesoderma novo:

Produção do hormônio estrógeno. 

Conflito:  perda de um elemento do grupo, mas agora com a implicação da pessoa. Eu não fiz nada para salvá-lo, eu fiz, mas não consegui, não fui apto. Exemplo: Dr. Hamer, que teve um câncer de testículo após perder o filho.

No conflito do ovário, pode-se colocar em repouso a feminilidade para não atrair um parceiro, até resolver o conflito da “perda”.

Isso são alguns exemplos de conflitos que podem influenciar a fertilidade, mas temos que ver todo o contexto.

Comentários: 

Na osteopatia, após determinarmos qual a disfunção, o sistema implicado e suas correlações, utilizamos de técnicas específicas para reequilibrar e normalizar o sistema, para que o organismo possa se auto curar, ou seja, proporcionamos uma organização das vias de cura. Lembrando que o processo de reparação não depende somente do osteopata, fazemos parte de uma engrenagem para promover a saúde ao paciente. 

A natureza é maravilhosa e fazemos parte dela. Ao conhecer o corpo humano, sua fisiologia e função, concluímos que todas os sistemas possuem interrelações e um mecanismo complexo e integrado que buscam se equilibrar e funcionar. 

A osteopatia é somente uma ferramenta que pode ajudar a proporcionar e reabilitar essas funções para que o resultado possa ser a gravidez tão esperada. 

Norma A. Morimoto Nosaki DO – MRBrO

Docente: IDOT – Instituto Docussé de Osteopatia e Terapia Manual

BIBLIOGRAFIA:

  1. Tratamento Osteopático de La Mujer –  Infertilidad funcional, embarzo y postparto – Dna. Elena Martínez Loza D.O. – MRO – editorial Medos/  Escuela de Osteopatía de Madri – 2012.
  1. Urogenital Manipulation – Jean- Pierre Barral  D.O. – publishing company

 Eastland Press, Inc. P.O. Box 99749 – Seatle, WA 98139, USA.

  1. Estresse e ansiedade em mulheres inférteis – Simone da Nóbrega Tomaz MoreiraI; Carmen Oliveira Medeiros MeloII; Geraldez TomazIII; George Dantas de AzevedoIV  – Rev. Bras. Ginecol. Obstet. v.28 n.6 Rio de Janeiro jun. 2006.
  1. Entre parâmetros e certezas da avaliação palpatória osteopática – Marcial Zanelli de Souza PhD, D.O, MRO (Br) – Instituto Docusse de Osreopatia e Terapia Manual, Av. Mathias Mendes Cardoso, no 202, Central Park Residence, CEP: 19060-740, Presidente Prudente – SP – Brasil – 1a Edição – 2016.
  2. Fisiologia humana Uma abordagem integrada – Dee Unglaub Silverthorn, PhD – editora Manole – 1a edição brasileira – 2003.
  1. A dieta da mente para a vida – Dr. David Perlmutter – editora Paralela – 1ª edição – 2017.
  1. Dime qué comes y te diré de qué enfermerás – Francisco Fajardo D.O. FRNO –  Editorial Dilema – Madrid – 2014.
  1. learninggnm.com/documents/Portuguese.pdf