{"id":1452,"date":"2019-07-03T14:17:05","date_gmt":"2019-07-03T14:17:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/?p=1452"},"modified":"2022-03-11T20:13:49","modified_gmt":"2022-03-11T20:13:49","slug":"a-integracao-osteopatica-no-tratamento-intestinal-caso-clinico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/a-integracao-osteopatica-no-tratamento-intestinal-caso-clinico\/","title":{"rendered":"A integra\u00e7\u00e3o osteop\u00e1tica no tratamento intestinal \u2013 Caso Cl\u00ednico"},"content":{"rendered":"\n<p> Escrito por:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.idot.com.br\/profissionais-atuantes.html\">Prof\u00b0 Ft. Matheus Astorga Martins<\/a><br \/>Docente do IDOT <\/p>\n\n\n\n<p>No dia a dia dos osteopatas pessoas com diversas doen\u00e7as, debilidades e les\u00f5es aparecem em nos consult\u00f3rios. N\u00e3o \u00e9 incomum chegar at\u00e9 n\u00f3s pacientes que simplesmente n\u00e3o tiveram diagnostico m\u00e9dico fechado. Este caso cl\u00ednico \u00e9 sobre um desses pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Este paciente foi atendido em conjunto pelo tamb\u00e9m osteopata Alan Borges, que iniciou seu tratamento e ao constatar que de alguma forma eu poderia ajudar me encaminhou o paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>O paciente chegou a nossa cl\u00ednica em virtude de fortes dores abdominais, descritas por ele como c\u00f3licas. As dores se iniciaram em abril de 2013 e persistia por todo o tempo, agravando-se nos momentos onde o paciente tentava evacuar e ap\u00f3s alimentar-se. Segundo o paciente a dor era tanta que ele preferia em alguns momentos simplesmente n\u00e3o se alimentar. Este quadro o levou a perder 30Kg em cerca de um ano de investiga\u00e7\u00e3o sobre as dores que o mesmo sentia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os exames que o mesmo havia feito em busca de diagn\u00f3stico foram in\u00fameros, tais como tomografia, pun\u00e7\u00e3o medular, diversos exames de sangue, colonoscopia, endoscopia, entre outros. Em um destes exames foram constatados divert\u00edculos, que foram retirados, por\u00e9m de nada adiantaram para melhora do quadro.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim o tratamento se iniciou pelo Alan, que na sua primeira terapia, ao realizar sua avalia\u00e7\u00e3o obteve algumas informa\u00e7\u00f5es com o paciente sobre o in\u00edcio do quadro, o qual teria acontecido ap\u00f3s uma discuss\u00e3o de seu filho com um dos vizinhos de seu pr\u00e9dio. A percep\u00e7\u00e3o do paciente diante de tal situa\u00e7\u00e3o foi determinante para o desenvolvimento dos transtornos do sistema digestivo, mais especificamente relacionado ao intestino. &nbsp;O teste de palpa\u00e7\u00e3o auscultat\u00f3ria &nbsp;do terapeuta o levou a encontrar restri\u00e7\u00f5es intestinais. A conduta foi manipula\u00e7\u00e3o de al\u00e7as intestinais que estavam aderidas, esf\u00edncter ileocecal e manipula\u00e7\u00f5es de restri\u00e7\u00f5es em OAA e articula\u00e7\u00e3o sacro il\u00edaca.&nbsp; Ap\u00f3s a primeira sess\u00e3o Alan encaminhou a mim o paciente. Quando chegou a minha sala o paciente mal andava, pediu-se para sentar na mesa de exames, pois a mesma era mais alta que a cadeira e ele justificou-se dizendo que n\u00e3o teria for\u00e7as para levantar da mesma. Feito isso perguntei a ele como poderia ajud\u00e1-lo e a resposta dele foi imediata: \u201cN\u00e3o aguento mais sentir dor Dr., n\u00e3o tenho for\u00e7as nas pernas e tampouco vontade de comer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Basicamente o que precisava fazer era primeiramente faz\u00ea-lo comer, este era o mais problema, pois a falta de for\u00e7a vinha das altera\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio corpo buscou para ter energia. O corpo tem seus princ\u00edpios energ\u00e9ticos, primeiro ir\u00e1 buscar os carboidratos para produzir energia, depois os lip\u00eddios e as reservas de gordura do corpo, quando estes recursos acabam, s\u00f3 lhe resta uma op\u00e7\u00e3o, retirar massa dos m\u00fasculos e pela gliconeog\u00eanese produzir energia. Portanto era imposs\u00edvel faz\u00ea-lo voltar a ter for\u00e7as porque os m\u00fasculos haviam simplesmente desaparecido. Em um teste de for\u00e7a muscular o paciente n\u00e3o conseguiu nem mesmo realizar uma extens\u00e3o livre do joelho, apenas com o peso da pr\u00f3pria perna, me abismava o fato de ele ainda estar conseguindo andar.<\/p>\n\n\n\n<p>Passei a ele simples recomenda\u00e7\u00f5es. A primeira era comer o que gostasse, pois para quem j\u00e1 n\u00e3o tem apetite ter que comer alimentos que n\u00e3o o apetecem \u00e9 extremamente desmotivante. A segunda foi um probi\u00f3tico, pois o paciente apresentava transtornos intestinais e neste tempo de procura de diagn\u00f3stico tomou v\u00e1rios medicamentos nocivos \u00e0s paredes intestinais. Pedi a ele que tomasse tamb\u00e9m glutamina, um suplemento de amino\u00e1cido comumente utilizado por praticantes de esportes por ter propriedades musculares, mas que tamb\u00e9m tem uma interessante propriedade, ajuda a revitalizar a parede intestinal. Por fim dei a ele uma lista de alimentos de alta carga glic\u00eamica, pois tinha que prover energia ao corpo e o paciente vinha perdendo cerca de 2 a 3 kgs por m\u00eas, pedi a ele que utilizasse pelo menos 2 alimentos daquela lista por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 dias o paciente voltou, perguntei a ele como estava, disse que estava melhor, ainda com dores, mas a intensidade havia diminu\u00eddo. Pedi a ele que subisse na balan\u00e7a para saber se ele havia ganho peso, o que aconteceu, houve ganho de 1kg em 15 dias. O paciente se surpreendeu e me disse que estava com medo de subir na balan\u00e7a, pois achava que havia perdido mais peso. Pedi a ele para manter a conduta e voltar em 15 dias. As sess\u00f5es de osteopatia continuavam com o Alan, que me disse ter havido melhora significativa, principalmente o \u00e2nimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma terceira sess\u00e3o o paciente j\u00e1 chegou com semblante melhor, ainda apoiado pela esposa para andar, sentou-se na mesa de exames novamente e me disse que estava melhorando, enjoado de algumas coisas que tinha que comer, mas estava evoluindo, havia ganho mais 500gr. O simples fato do paciente n\u00e3o estar perdendo peso j\u00e1 era uma grande conquista. Comecei ent\u00e3o a aumentar os alimentos com prote\u00edna, para que o corpo tivesse capacidade para reconstru\u00e7\u00e3o muscular. As idas ao banheiro que antes aconteciam uma vez a cada 2 ou 3 dias, agora eram 1 a 2 vezes ao dia e o mais importante a dor j\u00e1 era muito menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Na quarta sess\u00e3o o paciente j\u00e1 chegou andando sem apoio da esposa, ainda com dificuldade para andar, nada comparada \u00e0s primeiras sess\u00f5es. As dores abdominais j\u00e1 eram m\u00ednimas e esta sess\u00e3o teve grande import\u00e2ncia frente \u00e0 rela\u00e7\u00e3o ps\u00edquica do paciente. Enquanto eu perguntava como ele estava, se estava comendo bem ele me interrompeu por um instante e me disse: \u201cDr. Posso lhe falar uma coisa ?\u201dprontamente disse a ele que sim e ele respondeu:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstou mais tranquilo agora, voltei a ganhar peso e me sinto bem melhor. Estava muito preocupado, pois tenho v\u00e1rios parentes que moram longe, e nestes \u00faltimos meses v\u00e1rios deles vieram me ver, eu realmente achei que ia morrer, que n\u00e3o ia dar mais para mim\u201d.&nbsp; Isto para n\u00f3s terapeutas \u00e9 muito importante, pois neste momento se afasta em muito a possibilidade do paciente vir a desenvolver a s\u00edndrome do canal coletor, algo que em nosso tratamento \u00e9 com certeza de grande dificuldade. O paciente terminou a frase sorrindo e neste momento eu sorri junto, logicamente n\u00e3o iria falar, mas da forma como o recebi na primeira sess\u00e3o, tamb\u00e9m achei que era um caso onde perderia o paciente. Pedi a ele que subisse na balan\u00e7a, o peso ganho no fim de 2 meses j\u00e1 era 2,5kgs.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1vamos no fim do ano de 2014 quando o paciente veio para sua 5<sup>a<\/sup>&nbsp;sess\u00e3o, chegou caminhando sozinho, sentou-se na mesa de exames como de costume, apresentava um \u00f3timo semblante e me disse: \u201ctem como voc\u00ea me pesar ? acho que ganhei mais alguns quilos.\u201d O que antes era temor agora era motiva\u00e7\u00e3o. &nbsp;O ganho de peso j\u00e1 era de 4kgs.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse a ele para voltar no ano seguinte e assim foi feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro o paciente retornou, j\u00e1 pesando 80kg, 7kg a mais do que quando iniciou as terapias,&nbsp; reclamou de dores nas pernas, especialmente nas canelas. Disse a ele que por um lado o peso ganho era \u00f3timo, por\u00e9m por outro os m\u00fasculos que ele havia perdido faziam falta, sendo assim precisava que ele fizesse exerc\u00edcios, caminhadas.&nbsp; Ele disse que tinha medo, que n\u00e3o conseguiria porque as pernas ainda estavam fracas, dei ent\u00e3o exerc\u00edcios para ele fazer dentro de casa e o pedi para come\u00e7ar devagar as caminhadas, andando no bairro onde mora. Ao fim da sess\u00e3o ele me relatou que estava suando muito durante a noite, indo ao banheiro v\u00e1rias vezes. Que seu exame de pr\u00f3stata estava com \u00edndices elevados e que a pr\u00f3stata estava edemaciada. Pedi a ele que retornasse ao Alan, que havia iniciado o tratamento com a osteopatia informativa na primeira sess\u00e3o, para que ele entendesse o real motivo da pr\u00f3stata estar aumentada. Nesta \u00e9poca j\u00e1 havia tirado totalmente os suplementos do paciente, ele conseguia se manter saud\u00e1vel apenas com a sua dieta de forma equilibrada. Solicitei a ele que voltasse em 45 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s os 45 dias ele estava de volta, por\u00e9m me veio novamente com dores nas pernas e me relatou que a sensa\u00e7\u00e3o de des\u00e2nimo era grande, que n\u00e3o tinha vontade de se exercitar. Neste momento vi que na verdade o medo e a incapacidade era o que o deixava temeroso. Uma semana antes havia tido uma reuni\u00e3o com os professores do grupo da informativa e me lembrei do Zez\u00e9 dizendo sobre um exemplo de incapacidade funcional de uma paciente com dor em um movimento do ombro, que o simples fato de aplicar uma manobra e faz\u00ea-la realizar o movimento poderia ser o necess\u00e1rio para acabar com a mem\u00f3ria gravada a n\u00edvel ps\u00edquico, que a remetia \u00e0 incapacidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim falei com a esposa do paciente, marquei uma consulta no lago da cidade em que atendo e pedi a ela que n\u00e3o dissesse nada a ele que dissesse que ia leva-lo a sess\u00e3o mas que antes teria de passar em um lugar. Encontrei com ele e a esposa no lago, abri a porta do carro e a surpresa do paciente foi imediata, pedi a ele que sa\u00edsse do carro pois ir\u00edamos caminhar. Ele me atendeu com temor, disse que talvez n\u00e3o conseguisse andar por mais de 200 metros. Andamos por 1400 metros. Ao fim deste percurso me sentei ao lado dele em um banco e disse: \u201cviu como voc\u00ea consegue&nbsp; ? Qual \u00e9 sua pr\u00f3xima meta ?\u201d e ele me respondeu: \u201cQuero dirigir\u201d. Estabeleci que em 1 m\u00eas ele teria que andar e se condicionar para realizarmos esta nova meta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim em uma sess\u00e3o 15 dias ap\u00f3s este encontro no lago, passei a ele alguns suplementos que ajudariam com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3stata. \u00c9 importante o paciente se sentir amparado, sentir que existe algo para ajud\u00e1-lo no tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua \u00faltima sess\u00e3o h\u00e1 cerca de 45 dias atr\u00e1s o paciente me disse que j\u00e1 acorda apenas 1 ou 2 vezes durante a noite para ir ao banheiro, em algumas noites n\u00e3o sentiu vontade de ir ao banheiro. Caminha sozinho e sem ajuda, ainda h\u00e1 d\u00e9ficit muscular. As dores intestinais cessaram-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste tratamento pudemos ver a efetividade da osteopatia quando usada integralmente e as suas possibilidades. O paciente continua suas visitas peri\u00f3dicas ao meu consult\u00f3rio, simplesmente para controle alimentar e ainda estamos trabalhando na meta de voltar a dirigir. Mas o mais importante foi alcan\u00e7ado ao meu ver. O paciente j\u00e1 se sente vivo novamente, fora de perigo, amparado. Devemos entender que nossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 exercer os testes diagn\u00f3sticos, n\u00e3o esquecer da fisiologia e saber entender a fisiologia \u201cespecial\u201d, pois Still j\u00e1 dizia que o corpo tem uma tend\u00eancia de auto-cura e algumas vezes para alcan\u00e7ar este direcionamento \u00e0 auto cura a fisiologia \u201cespecial\u201d entrar\u00e1 em a\u00e7\u00e3o. Nos cabe a obriga\u00e7\u00e3o de ter ferramentas ou de direcionar o paciente a quem as tenha para exercermos com qualidade nosso of\u00edcio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por:&nbsp;Prof\u00b0 Ft. Matheus Astorga MartinsDocente do IDOT No dia a dia dos osteopatas pessoas com diversas doen\u00e7as, debilidades e les\u00f5es aparecem em nos consult\u00f3rios. N\u00e3o \u00e9 incomum chegar at\u00e9 n\u00f3s pacientes que simplesmente n\u00e3o tiveram diagnostico m\u00e9dico fechado. Este caso cl\u00ednico \u00e9 sobre um desses pacientes. 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