{"id":1614,"date":"2020-08-03T22:04:56","date_gmt":"2020-08-03T22:04:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/?p=1614"},"modified":"2022-03-11T19:54:22","modified_gmt":"2022-03-11T19:54:22","slug":"repercussoes-do-tratamento-osteopatico-em-paciente-com-neuropatia-periferica-desenvolvida-apos-tratamento-para-mieloma-multiplo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/repercussoes-do-tratamento-osteopatico-em-paciente-com-neuropatia-periferica-desenvolvida-apos-tratamento-para-mieloma-multiplo\/","title":{"rendered":"REPERCUSS\u00d5ES DO TRATAMENTO OSTEOP\u00c1TICO EM PACIENTE COM NEUROPATIA PERIF\u00c9RICA DESENVOLVIDA AP\u00d3S TRATAMENTO PARA MIELOMA M\u00daLTIPLO"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Aluno:<\/strong> Pedro Gabriel Barbosa<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supervisor: <\/strong>Guilherme Lu\u00eds Santana Luchesi, CEI<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contextualiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Caracterizada pela degenera\u00e7\u00e3o progressiva dos ax\u00f4nios das fibras nervosas, a neuropatia perif\u00e9rica manifesta-se com sintomas sensoriais como parestesias, hiperestesia, disestesia em queima\u00e7\u00e3o e dor neurop\u00e1tica e com sintomas motores, podendo gerar graves consequ\u00eancias na qualidade de vida dos indiv\u00edduos acometidos<sup>1<\/sup>. A dor neurop\u00e1tica \u00e9 gerada por les\u00e3o ou acometimento do sistema nervoso, sendo sua incid\u00eancia estimada entre 3{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354} e 17{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354} da popula\u00e7\u00e3o e na sua maioria mulheres (60,5{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354}) com idades entre 50 e 64 anos<sup>1<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>O mieloma m\u00faltiplo \u00e9 uma neoplasia progressiva de c\u00e9lulas B onde ocorre uma prolifera\u00e7\u00e3o desregulada de plasm\u00f3citos na medula \u00f3ssea. Representa 1{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354} das neoplasias malignas, sendo a segunda neoplasia hematol\u00f3gica mais comum<sup>2<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>A neuropatia perif\u00e9rica est\u00e1 entre as complica\u00e7\u00f5es mais comuns de indiv\u00edduos em tratamento do Mieloma M\u00faltiplo, podendo ser uma consequ\u00eancia da pr\u00f3pria doen\u00e7a (1{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354}-20{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354}) ou do tratamento escolhido (37{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354}-83{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354}).&nbsp; Um dos tratamentos para essa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 o medicamentoso, no entanto, o uso do medicamento bortezomide no tratamento do mieloma m\u00faltiplo tem se mostrado um fator causal de neuropatias perif\u00e9ricas, chegando a uma incid\u00eancia de 8 a 12{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354} dos pacientes<sup>3<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>O tratamento n\u00e3o medicamentoso utilizado em indiv\u00edduos acometidos por dor neurop\u00e1tica tem se mostrado eficaz no al\u00edvio dos sintomas e dores em geral<sup>4<\/sup>. Tratamentos como a terapia manual, tra\u00e7\u00e3o, exerc\u00edcios e eletroterapia t\u00eam se mostrado eficazes no tratamento de radiculopatias cervicais e lombares em estudos pr\u00e9vios. T\u00e9cnicas como a mobiliza\u00e7\u00e3o neural se mostraram eficazes no tratamento da dor neurop\u00e1tica, reestabelecendo a fun\u00e7\u00e3o do nervo acometido <sup>5<\/sup>. Al\u00e9m disso, a efic\u00e1cia da mobiliza\u00e7\u00e3o neural em pacientes com dor tamb\u00e9m foi avaliada e os resultados demonstraram melhora da mesma e da funcionalidade da regi\u00e3o tratada<sup>6<\/sup>. Contudo, esses estudos apresentam limita\u00e7\u00f5es, principalmente em raz\u00e3o ao n\u00famero de indiv\u00edduos participantes das pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Portando, a partir do exposto e considerando as complica\u00e7\u00f5es p\u00f3s tratamento medicamento para mieloma m\u00faltiplo, entende-se como pertinente investigar o efeito do tratamento osteop\u00e1tico, em vari\u00e1veis como sensibilidade e dor, de um indiv\u00edduo com quadro de neuropatia perif\u00e9rica adquirida ap\u00f3s uso de bortezomide no tratamento de mieloma m\u00faltiplo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Relato de caso cl\u00ednico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O presente caso cl\u00ednico apresentado foi desenvolvido durante o per\u00edodo de resid\u00eancia cl\u00ednica II, na Cl\u00ednica-Escola de osteopatia do IDOT na cidade de Presidente Prudente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>-Apresenta\u00e7\u00e3o da paciente<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Paciente:<\/em> sexo feminino, 56 anos, do lar.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Queixa prim\u00e1ria:<\/em> Refere sintoma de dor em queima\u00e7\u00e3o nas pernas, abaixo do joelho, em faces medial e lateral at\u00e9 os p\u00e9s, bilateralmente, maior \u00e0 direita, sens\u00edvel ao toque superficial.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Queixa secund\u00e1ria:<\/em> Relata dorm\u00eancia em ambas as m\u00e3os na regi\u00e3o no nervo ulnar.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Hist\u00f3rico m\u00e9dico:<\/em><strong> <\/strong>A paciente do estudo relata ter iniciado sintomas de anemia importante em 2008, e em 2014 houve o diagn\u00f3stico de Mieloma m\u00faltiplo. Realizado ent\u00e3o, tratamento quimioter\u00e1pico e medicamentoso com bortezomide. Ainda relata ter havido complica\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o primeiro ciclo de quimioterapia sendo necess\u00e1rio interna\u00e7\u00e3o hospitalar com intuba\u00e7\u00e3o orotraqueal e como consequ\u00eancia s\u00edndrome do imobilismo. Em 2015, apresentou sintomas neurais perif\u00e9ricos, iniciando pelo p\u00e9, em ascens\u00e3o at\u00e9 regi\u00e3o dos joelhos com piora no per\u00edodo da tarde, sendo diagnosticada com neuropatia perif\u00e9rica que segundo a equipe m\u00e9dica que a acompanhou, foi pelo uso de bortezomide (sic), medicamento comum utilizado no tratamento do mieloma m\u00faltiplo. Relata tomar medicamento gabapentina para esse sintoma, 900mg\/dia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Co-morbidades: <\/em>Gastrite, rinite al\u00e9rgica, intestino hiperativo, infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria por aproximadamente 3 vezes ao ano, cisto ovariano esquerdo quando jovem e alto fluxo menstrual. Anemia recorrente antes da descoberta do diagn\u00f3stico de mieloma.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Interven\u00e7\u00f5es passadas: <\/em>Cirurgia vascular em 2007, retirada de p\u00f3lipo nasal em 2015 e colonoscopia com retirada de p\u00f3lipos em 2017.&nbsp; J\u00e1 realizou tratamento osteop\u00e1tico e medicamentoso.<\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong><em>Avalia\u00e7\u00e3o <\/em><\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>Teste de exclus\u00e3o: <\/em>Andar sobre calcanhar e ponta dos p\u00e9s, Teste de Las\u00e8gue e Teste das art\u00e9rias, sendo todos negativos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Teste relacional funcional: <\/em>Agachamento, sentar e levantar da cadeira, al\u00e9m da sensa\u00e7\u00e3o de queima\u00e7\u00e3o e dor na regi\u00e3o acometida.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Teste referencial: <\/em>Manobra de Converg\u00eancia Podal.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Exames laboratoriais:<\/em> N\u00e3o dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Exames de imagem:<\/em> N\u00e3o dispon\u00edvel.<em>Mensura\u00e7\u00f5es: <\/em>Escala Visual Anal\u00f3gica (EVA) para sintoma de dor em queima\u00e7\u00e3o nas pernas e p\u00e9s, question\u00e1rio de qualidade de vida &#8211; SF36, question\u00e1rio de Dor Neurop\u00e1tica (DN4), Dinam\u00f4metro de preens\u00e3o palmar para avaliar a for\u00e7a dos membros superiores, estesi\u00f4metro em regi\u00e3o plantar e dorsal dos p\u00e9s para avaliar grau de sensibilidade e teste de TUGT (Time Get Up And Go) para avaliar o risco de queda.<\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong><em>Sistemas encontrados na avalia\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Sistemas musculoesquel\u00e9tico e neural, postural, visceral e vascular, craniano e biol\u00f3gico (tabela 1).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"578\" height=\"465\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/1-1-578x465.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1616\"\/><figcaption>Tabela 1: Par\u00e2metros e sistemas envolvidos ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o e anamnese<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<ul><li><strong>Planejamento<\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"574\" height=\"246\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1617\"\/><figcaption>Quadro 1: Planejamento dos atendimentos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<ul><li><strong><em>Tratamento<\/em><\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Foram realizados 6 atendimentos na cl\u00ednica-escola de Osteopatia &#8211; IDOT, com dura\u00e7\u00e3o de 50 minutos.<\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong><em>Interven\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"566\" height=\"376\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1618\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"571\" height=\"359\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1619\"\/><figcaption>Tabela 2: Descri\u00e7\u00e3o das interven\u00e7\u00f5es realizadas nos seis atendimentos.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<ul><li><strong><em>Resultados<\/em><\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A seguir s\u00e3o apresentados os resultados relacionados aos desfechos avaliados. Em rela\u00e7\u00e3o a qualidade de vida (gr\u00e1fico 1), observamos que houve aumento dos valores para todos os dom\u00ednios avaliados, indicando que o tratamento possibilitou melhora na qualidade de vida da paciente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"527\" height=\"304\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1620\"\/><figcaption>Gr\u00e1fico 1. Dom\u00ednios relacionados a qualidade de vida obtidos por meio do question\u00e1rio SF-36 pr\u00e9 e p\u00f3s-tratamento.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a percep\u00e7\u00e3o de dor em queima\u00e7\u00e3o nas pernas e p\u00e9s, representada no gr\u00e1fico 2, podemos observar que houve redu\u00e7\u00e3o da intensidade do sintoma ao final de todos os atendimentos, sendo que a partir do 4\u00ba atendimento a dor j\u00e1 era inferior a 3, sendo considerada leve.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"472\" height=\"265\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/6-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1622\"\/><figcaption>Gr\u00e1fico 2: Escala visual anal\u00f3gica de dor nos momentos inicial e final de cada atendimento.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Como relacional funcional n\u00f3s utilizamos tr\u00eas par\u00e2metros (teste do Tensionamento dos rotadores externos do quadril, Teste levantar\/sentar-se e sensibilidade ao toque superficial). O teste do Tensionamento dos rotadores externos do quadril foi utilizado como refer\u00eancia em todos os atendimentos, pr\u00e9 e p\u00f3s cada interven\u00e7\u00e3o e evidenciou melhora em cada sess\u00e3o realizada. O Teste Levantar\/sentar-se foi utilizado para avaliar a funcionalidade da paciente, pr\u00e9 e p\u00f3s cada interven\u00e7\u00e3o e mostrou melhora importante, onde a paciente n\u00e3o apresentou dificuldade no teste ap\u00f3s a \u00faltima interven\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a sensibilidade ao toque superficial tamb\u00e9m foi avaliada em todas as sess\u00f5es e ap\u00f3s todas as interven\u00e7\u00f5es realizadas, mostrando melhora a cada interven\u00e7\u00e3o, onde na primeira consulta a paciente se expressava com face de inc\u00f4modo e ao fim das interven\u00e7\u00f5es relatou melhora da sensibilidade, acompanhada de melhora da express\u00e3o facial.&nbsp; A dor neurop\u00e1tica (figura 3) foi avaliada pelo question\u00e1rio DN4, onde a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima \u00e9 10 e valores acima de 4 j\u00e1 s\u00e3o considerados como dor neurop\u00e1tica. Nossos resultados mostraram que pr\u00e9-tratamento a paciente apresentava pontua\u00e7\u00e3o 7 e ao final do tratamento a gradua\u00e7\u00e3o da dor neurop\u00e1tica foi para 5 pontos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"457\" height=\"244\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1623\"\/><figcaption>Gr\u00e1fico 3: Classifica\u00e7\u00e3o da dor neurop\u00e1tica obtida por meio do question\u00e1rio DN4 pr\u00e9 e p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o.<br \/><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O gr\u00e1fico 4 representa a gradua\u00e7\u00e3o da sensibilidade na regi\u00e3o dorsal e plantar do p\u00e9 direito, maiores valores indicam menor sensibilidade na regi\u00e3o testada. A gradua\u00e7\u00e3o da sensibilidade pr\u00e9-tratamento foi de 2,0 gf para ambas as regi\u00f5es, o que indica que a paciente havia uma sensibilidade protetora diminu\u00edda, mas suficiente para prevenir les\u00f5es. Ap\u00f3s o tratamento, a sensibilidade referida na regi\u00e3o dorsal aumentou, indicada pela gradua\u00e7\u00e3o de 0,05 gf, que equivale a sensibilidade dentro da faixa considerada normal para m\u00e3o e p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"515\" height=\"303\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/8-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1625\"\/><figcaption>Gr\u00e1fico 4: Gradua\u00e7\u00e3o da sensibilidade pr\u00e9 e p\u00f3s tratamento osteop\u00e1tico.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o das queixas secund\u00e1rias, a for\u00e7a de preens\u00e3o palmar (gr\u00e1fico 5) tamb\u00e9m foi avaliada nesse relato de caso, contudo n\u00e3o foram observadas diferen\u00e7as entre as medidas pr\u00e9 e p\u00f3s tratamento para ambos os membros superiores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"524\" height=\"179\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/9.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1626\"\/><figcaption>Gr\u00e1fico 5: Gradua\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de preens\u00e3o palmar por meio de dinamometria pr\u00e9 e p\u00f3s tratamento osteop\u00e1tico.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Finalmente, o gr\u00e1fico 6 representa o risco de quedas avaliado pelo TUGT pr\u00e9 e p\u00f3s-tratamento. O tempo de realiza\u00e7\u00e3o do teste pr\u00e9-tratamento foi de 11,4 segundos classificando a paciente como independente, por ter um razo\u00e1vel equil\u00edbrio e velocidade capaz de caminhar livremente mais de 500 metros. Ap\u00f3s o tratamento o tempo do teste reduziu para 8,81, classificando-a como totalmente livre e independente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"534\" height=\"304\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1627\"\/><figcaption>Gr\u00e1fico 6: Funcionalidade e risco de queda pelo TUGT pr\u00e9 e p\u00f3s tratamento osteop\u00e1tico.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<ul><li><strong><em>Discuss\u00e3o<\/em><\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Os resultados desse relato de caso mostraram que ap\u00f3s o tratamento osteop\u00e1tico houve melhora nos n\u00edveis de sensibilidade, dor, funcionalidade e qualidade de vida em paciente com neuropatia perif\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>As t\u00e9cnicas manipulativas osteop\u00e1ticas utilizadas no tratamento da neuropatia perif\u00e9rica neste caso, s\u00e3o descritas na literatura e comprovadas por alguns estudos em diversas patologias. Nee RJ e Butler D<sup>7<\/sup> descrevem que t\u00e9cnicas de mobiliza\u00e7\u00e3o neural passivas ou ativas utilizadas para diminuir a sensibilidade de regi\u00f5es dolorosas devido transmiss\u00e3o neural anormal, contribu\u00edram para redu\u00e7\u00e3o da dor em indiv\u00edduos com neuropatia perif\u00e9rica. A mobiliza\u00e7\u00e3o neural foca em reabilitar o tecido neural, tendo impacto positivo na circula\u00e7\u00e3o intraneural, fluxo axoplasm\u00e1tico, viscoelasticidade no tecido de conex\u00e3o neural e redu\u00e7\u00e3o da sensibilidade de regi\u00f5es anormais de gera\u00e7\u00e3o de impulso, contudo ainda s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos para esclarecer quais tratamentos espec\u00edficos podem ser mais efetivos na neuropatia perif\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, algumas pesquisas t\u00eam sido desenvolvidas utilizando a mobiliza\u00e7\u00e3o neural como ferramenta de tratamento. A mobiliza\u00e7\u00e3o neural combinada com t\u00e9cnicas manipulativas e exerc\u00edcios terap\u00eauticos se mostraram eficazes em termos de dor e funcionalidade em pacientes com radiculopatia cervical<sup>5<\/sup>.&nbsp; Nee et al<sup>8<\/sup>, relataram melhora da dor neural ap\u00f3s 4 sess\u00f5es de t\u00e9cnicas de mobiliza\u00e7\u00e3o neural, assim como foi demonstrado em nosso relato de caso, onde a paciente relatou melhora no sintoma de dor em queima\u00e7\u00e3o e sensibilidade j\u00e1 ap\u00f3s a primeira sess\u00e3o, com melhora progressiva no seguimento do tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Kim et al<sup>9<\/sup> verificaram que a terapia de mobiliza\u00e7\u00e3o neural e a tra\u00e7\u00e3o articular se mostraram mais eficazes do que t\u00e9cnica de tra\u00e7\u00e3o articular isolada, em desfechos como dor, amplitude de movimento e qualidade de vida de pacientes com radiculopatia cervical.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da abordagem no sistema musculoesquel\u00e9tico e neural, n\u00f3s tamb\u00e9m trabalhamos com t\u00e9cnicas direcionadas ao sistema visceral. A abordagem nesse sistema, tem demonstrado benef\u00edcios tamb\u00e9m em pacientes com sintomas de lombalgia<sup>10<\/sup>, mostrando a efic\u00e1cia da manipula\u00e7\u00e3o osteop\u00e1tica visceral em sintomas musculoesquel\u00e9ticos, assim como em nosso estudo, onde a paciente continua em ascend\u00eancia de melhora nos sintomas de dor em queima\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o de manipula\u00e7\u00e3o em estruturas viscerais em regi\u00e3o de abdome inferior.<\/p>\n\n\n\n<p>Destacam-se como pontos fortes desse estudo de caso, a mobiliza\u00e7\u00e3o neural de seguimentos relacionados \u00e0s queixas da paciente e os m\u00e9todos avaliativos empregados. A avalia\u00e7\u00e3o com uma anamnese minuciosa se destaca nesse estudo como grande aliada para um bom direcionamento no tratamento inicial, e essa metodologia assim como o tratamento, permitiram evidenciar que ap\u00f3s 5 atendimentos houve melhora dos sintomas de dor e sensibiliza\u00e7\u00e3o na paciente com neuropatia perif\u00e9rica, o que nos permite refletir sobre futuros estudos, avaliando a m\u00e9dio e a longo prazo a durabilidade dessas respostas em rela\u00e7\u00e3o aos desfechos avaliados. Al\u00e9m disso, a paciente deste estudo relatou n\u00e3o sentir a mesma necessidade de fazer uso cont\u00ednuo de sua medica\u00e7\u00e3o analg\u00e9sica habitual, uma vez que seus sintomas haviam diminu\u00eddo ap\u00f3s o tratamento osteop\u00e1tico realizado.<\/p>\n\n\n\n<p>As limita\u00e7\u00f5es do presente relato de caso se d\u00e3o a um n\u00famero reduzido de sess\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o e a n\u00e3o reavalia\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia das t\u00e9cnicas utilizadas a m\u00e9dio e longo prazo, al\u00e9m da utiliza\u00e7\u00e3o de mais ferramentas de avalia\u00e7\u00e3o e mensura\u00e7\u00e3o dos sintomas e queixas da paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, entendendo que as t\u00e9cnicas manipulativas osteop\u00e1ticas geram al\u00edvio de sintomas e tratam regi\u00f5es do corpo acometidas por diversas patologias\/disfun\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio que os profissionais da \u00e1rea realizem estudos randomizados com rigor metodol\u00f3gico, buscando verificar os efeitos de diferentes t\u00e9cnicas que comp\u00f5em essa especialidade, contribuindo com o aumento da evid\u00eancia na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong><em>Conclus\u00e3o<\/em><\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Diante deste relado de caso, podemos concluir que as t\u00e9cnicas manipulativas osteop\u00e1ticas direcionadas aos sistemas musculoesquel\u00e9tico, neural e visceral s\u00e3o importantes no tratamento da dor e da sensibilidade em pacientes portadores de neuropatia perif\u00e9rica, decorrentes do mieloma m\u00faltiplo, repercutindo na melhora da sintomatologia e qualidade de vida. Estudos mais espec\u00edficos e mais abrangentes s\u00e3o necess\u00e1rios a fim de evidenciar a resposta de t\u00e9cnicas mais precisas, avaliando tamb\u00e9m, o fator emocional diante do tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>-Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol><li>Cavalli E, Mammana S, Nicoletti F, Bramanti P, Mazzon E. The neuropathic pain: An overview of the current treatment and future therapeutic approaches. Int J Immunopathol Pharmacol. 2019;33:1-10<\/li><li>Silva ROP, Brand\u00e3o KMA, Pinto PVM, Faria RMD, Clementino NCD, Silva CMF, et al. Mieloma M\u00faltiplo: caracter\u00edsticas clinicas e laboratoriais ao diagn\u00f3stico e estudo progn\u00f3stico. Rev Bras Hematol Hemoter. 2008;31(2):63-8.<\/li><li>Basson A, Olivier B, Ellis R, Coppieters M, Stewart A, Mudzi W. The effective- ness of neural mobilization for neuromusculoskeletal conditions: a systematic review and meta-analysis. J Orthop Sports Phys Ther. 2017;47:593-615.<\/li><li>Basson A, Oliver B, Ellis R, Coppieters M, Stewart A, Mudzi W. The Effectiveness of Neural Mobilization for Neuromusculoskeletal Conditions: A Systematic Review and Meta-analysis. J Orthop Sports Phys Ther. 2017;47(9):593-615.<\/li><li>Ragonese J. A randomized trial comparing manual physical therapy to therapeutic exercises, to a combination of therapies, for the treatment of cervical radiculopathy. Orthop Phys Ther Pract. 2009;21(3):71-6.<\/li><li>Calvo-Lobo C, Unda-Solano F, L\u00f3pez-L\u00f3pez D, Sanz-Corbal\u00e1n I, Romero-Morales C, Palomo-L\u00f3pez P, et al. Is pharmacologic treatment better than neural mobilization for cervicobrachial pain? A randomized clinical trial. Int J Med Sci. 2018; 8;15(5):456-65.<\/li><li>Nee RJ, Butler, D. Management of peripheral neuropatic pain: Integrating neurobiology, neurodynamics, and clinical evidence. 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J Bodyw Mov Ther. 2012;16(3):381-91.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aluno: Pedro Gabriel Barbosa Supervisor: Guilherme Lu\u00eds Santana Luchesi, CEI Contextualiza\u00e7\u00e3o Caracterizada pela degenera\u00e7\u00e3o progressiva dos ax\u00f4nios das fibras nervosas, a neuropatia perif\u00e9rica manifesta-se com sintomas sensoriais como parestesias, hiperestesia, disestesia em queima\u00e7\u00e3o e dor neurop\u00e1tica e com sintomas motores, podendo gerar graves consequ\u00eancias na qualidade de vida dos indiv\u00edduos acometidos1. 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