{"id":1645,"date":"2020-08-28T19:32:22","date_gmt":"2020-08-28T19:32:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/?p=1645"},"modified":"2022-03-11T19:50:22","modified_gmt":"2022-03-11T19:50:22","slug":"a-importancia-do-trato-gastrointestinal-nas-respostas-imunitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/a-importancia-do-trato-gastrointestinal-nas-respostas-imunitarias\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do trato gastrointestinal nas respostas imunit\u00e1rias"},"content":{"rendered":"\n<p>Em tempos como os de hoje, onde atravessamos uma pandemia, o assunto n\u00e3o poderia ser outro. Tema de uma live no m\u00eas de abril, disponibilizada nas redes sociais do IDOT, iremos um pouco mais a fundo de como o trato gastrointestinal pode ajudar nas respostas imunit\u00e1rias do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, devemos entender que, na verdade, as respostas de defesa do corpo humano j\u00e1 se iniciam na mucosa bucal e nasal. A mucosa bucal j\u00e1 cont\u00e9m enzimas de quebras proteicas (protease) e assim boa parte de part\u00edculas virais, que s\u00e3o globulinas, s\u00e3o identificadas e podem j\u00e1 morrer neste ambiente, \u00e9 essencial a sa\u00fade bucal para boas respostas n\u00e3o somente imunit\u00e1rias, mas tamb\u00e9m, digestivas. Falaremos exclusivamente sobre a saliva e a boca em nossas pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es. Outro fator importante \u00e9 que o nosso corpo \u00e9 dotado de um sistema de comunica\u00e7\u00e3o, principalmente, entre as mucosas: intestinal, bucal, bronquial, nasal, vascular e da conjuntiva. <strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este sistema \u00e9 chamado de MALT ou tecido linfoide, \u00e9 associado \u00e0 mucosa e por ele come\u00e7aremos a entender a interdepend\u00eancia do sistema de mucosas e suas rela\u00e7\u00f5es. Muitas pessoas ao consumir um alimento podem ter repercuss\u00f5es, por exemplo, de congestionamento nasal ou hiperlacrimejamento e n\u00e3o entender a raz\u00e3o. Este exemplo \u00e9 dado exatamente para a compreens\u00e3o dessa liga\u00e7\u00e3o de mucosas, onde ao agredir o trato gastrointestinal, a mucosa nasal, br\u00f4nquica ou da conjuntiva podem apresentar sintomas ao paciente, sem estarem envolvidas diretamente. O que se espera demonstrar aqui, atrav\u00e9s desta liga\u00e7\u00e3o de mucosas, \u00e9 que nossa resposta imune ser\u00e1 global e dependente da condi\u00e7\u00e3o destas mucosas, pois como ilustrado na imagem abaixo (imagem 1) o sistema de mucosas uma vez alterado (item 3) se torna porta de entrada para os pat\u00f3genos que ir\u00e3o passar pela barreira intestinal e invadir\u00e3o nosso sistema, dependendo a partir da\u00ed da a\u00e7\u00e3o dos nossos agentes de defesa (itens 4 e 5) para n\u00e3o adentrar ao sistema vascular e linf\u00e1tico (itens 6 e 7). Como mostra a imagem e as pesquisas, a melhor forma de evitar este quadro \u00e9 melhorar a quantidade e variedade de probi\u00f3ticos no sistema e preservar o sistema de produ\u00e7\u00e3o de muco (itens 1 e 3). Em vista destes fatores, pode-se melhorar todo o sistema bi\u00f3tico com o uso de probi\u00f3ticos naturais ou encapsulados\/manipulados e evitar alimentos que destroem a barreira intestinal tais como leite e derivados, a\u00e7\u00facar, farinha branca, caf\u00e9 e \u00e1lcool, principalmente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"331\" height=\"424\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/1-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1647\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Um segundo fator de aten\u00e7\u00e3o deve ser o nosso sistema \u00e1cido estomacal e a mucosa g\u00e1strica e esof\u00e1gica. O pH estomacal em jejum, mant\u00e9m-se por volta de 4 e em digest\u00e3o fica de 1,5 a 4,0. Obviamente, quanto mais \u00e1cido produzimos menor \u00e9 a possibilidade de agentes externos adentrarem ao nosso sistema. Estranhamente, o \u00e1cido estomacal \u00e9 muito combatido hoje com uso de medicamentos inibidores da bomba de pr\u00f3tons de c\u00e1lcio (BIP) mais conhecidos como os \u201cpraz\u00f3is\u201d. Digo estranhamente, pois apesar de sabermos que para muitas pessoas o \u00e1cido \u00e9 um fator gerador de dor, tamb\u00e9m devemos saber que essa dor est\u00e1 sendo provocada em cerca de 60 a 70{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354} da popula\u00e7\u00e3o por falta de muco e n\u00e3o por excesso de \u00e1cido. Ao tomar tais medicamentos diminuem-se a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cido, chegando a deixar o pH g\u00e1strico acima de 4 e, dessa forma, possibilitamos a entrada de agentes pat\u00f3genos, al\u00e9m de por consequ\u00eancia alterar tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o de muco em resposta. \u00c9 importante tamb\u00e9m ressaltar que conforme envelhecemos temos redu\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cido em propor\u00e7\u00f5es de 30 a 50{8ec6837f4d4c723f3ffbc53e0f9280463c3f97d684af52f5a27bd55996592354}, portanto os mais idosos est\u00e3o mais suscet\u00edveis a serem contaminados. Devemos incrementar e possibilitar aos pacientes uma melhora da mucosa para gerar uma boa sa\u00fade g\u00e1strica e imune. Uma boa ferramenta na alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 o suco de aloe vera concentrado al\u00e9m do uso di\u00e1rio de L-glutamina.<\/p>\n\n\n\n<p>Falamos em v\u00e1rias outras oportunidades em nossa coluna sobre o intestino. As nossas respostas imunit\u00e1rias sofrer\u00e3o maior influ\u00eancia por esse \u00f3rg\u00e3o. Nossa biota intestinal \u00e9 resultado de muitos fatores, dentre os quais os principais s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Dieta da m\u00e3e durante a gesta\u00e7\u00e3o e amamenta\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Tipo de parto (normal x ces\u00e1rea);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Amamenta\u00e7\u00e3o x f\u00f3rmula;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Alimenta\u00e7\u00e3o durante a vida;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Higiene;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Medicamentos (principalmente uso de antibi\u00f3ticos);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Xenobi\u00f3ticos (emulsificantes, ado\u00e7antes, acessulfame, di\u00f3xido de tit\u00e2nio, agrot\u00f3xicos);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Altera\u00e7\u00e3o circadiana;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Stress cr\u00f4nico (figura 2).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"474\" height=\"228\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/2-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1649\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A mucosa intestinal deve estar totalmente preservada, pois \u00e9 a partir dela que ser\u00e3o absorvidos os principais minerais e as vitaminas necess\u00e1rias para mantermos as defesas do organismo adequadas. Dentre as vitaminas e minerais que apresentam a\u00e7\u00e3o anti-viral est\u00e3o: vitamina c, sel\u00eanio, cobre, zinco e magn\u00e9sio.<br \/><br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Nosso microbioma comunica-se com o sistema de citocinas e de cortisol, como demonstrado na imagem 3. Devemos lembrar que o cortisol \u00e9 imunodepressor e elevado por tempo prolongado (inflama\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas) nos leva \u00e0 pedra bi\u00f3tica tamb\u00e9m, mantendo um ciclo vicioso. Por consequ\u00eancia, se o microbioma \u00e9 ruim as respostas inflamat\u00f3rias e de cortisol aumentar\u00e3o e nosso sistema de defesas atuar\u00e1 contra os h\u00e1bitos di\u00e1rios. A consequ\u00eancia disso \u00e9 que ao sermos contaminados, o recrutamento ainda maior do sistema de defesas nos d\u00e1 respostas sintomatol\u00f3gicas t\u00e3o altas, que o n\u00e3o suportamos bem e ainda a resposta frente a esses agentes fica deficit\u00e1ria. O pico de inflama\u00e7\u00e3o se torna t\u00e3o intenso que pode gerar colapso a certos sistemas como o pulmonar, hep\u00e1tico, espl\u00eanico e do timo, levando inclusive \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n<p>O cortisol ainda pode ser afetado de outra forma pelo intestino, pois como tamb\u00e9m demonstrado na figura 3, a afer\u00eancia aumentada do intestino em rela\u00e7\u00e3o ao vago pode gerar estimula\u00e7\u00e3o \u00e0 n\u00edvel pituit\u00e1rio e nas libera\u00e7\u00f5es de horm\u00f4nios, que afetar\u00e3o as adrenais, que por resposta, aumentam o cortisol, novamente provocando os mesmos reflexos j\u00e1 expostos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"530\" height=\"370\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/3-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1651\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel termos um microbioma variado para estarmos saud\u00e1veis. Um estudo feito em ratos e publicado recentemente mostra que esse ponto \u00e9 t\u00e3o importante que pode inclusive proteger o nosso organismo de modifica\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas geradas por ingredientes de alimentos industrializados. Uma alimenta\u00e7\u00e3o bastante variada, rica em alimentos crus e fibras j\u00e1 \u00e9 uma grande contribui\u00e7\u00e3o para melhora do bioma e da imunidade. O consumo de alimentos fermentados como Kefir, kombucha ou outros alimentos tamb\u00e9m podem contribuir neste ponto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Krezalek, Monika A. &#8211; Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care: Nutrition and the Gastrointestinal Tract &#8211; Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2016 September<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Humar\u00e1n, Luis G. Berm\u00fadez- From Probiotics to Psychobiotics: Live Beneficial Bacteria Which Act on the Brain-Gut Axis. <\/strong><em>Nutrients<\/em>&nbsp;<strong>2019<\/strong>,&nbsp;<em>11<\/em>(4), 890<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Wolf, A. R., Wesener, D. A., Cheng, J., Houston-Ludlam, A. N., Beller, Z. W., Hibberd, M. C., \u2026 Gordon, J. I. (2019).&nbsp;<em>Bioremediation of a Common Product of Food Processing by a Human Gut Bacterium. Cell Host &amp; Microbe.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos como os de hoje, onde atravessamos uma pandemia, o assunto n\u00e3o poderia ser outro. Tema de uma live no m\u00eas de abril, disponibilizada nas redes sociais do IDOT, iremos um pouco mais a fundo de como o trato gastrointestinal pode ajudar nas respostas imunit\u00e1rias do paciente. 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