{"id":1698,"date":"2021-12-09T18:29:06","date_gmt":"2021-12-09T18:29:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/?p=1698"},"modified":"2022-03-11T18:57:56","modified_gmt":"2022-03-11T18:57:56","slug":"captor-podal-e-a-estabilizacao-postural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/captor-podal-e-a-estabilizacao-postural\/","title":{"rendered":"CAPTOR PODAL E A ESTABILIZA\u00c7\u00c3O POSTURAL"},"content":{"rendered":"\n<p>Por ANNA CLAUDIA LAN\u00c7A, CEI.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um sistema autom\u00e1tico que trabalha para manter o corpo em p\u00e9 com uma oscila\u00e7\u00e3o m\u00ednima (1 a 4 graus) em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mantermos o equil\u00edbrio \u00e9 importante, \u00e9 importante que esse sistema seja alimentado por entradas sensoriais que recolhem informa\u00e7\u00f5es tanto do mundo externo (exosenssores) quanto as provenientes do nosso pr\u00f3prio corpo (endosenssores), assim teremos a integridade da sa\u00edda do sistema postural (manuten\u00e7\u00e3o do corpo oscilando minimamente) e, consequentemente uma boa estabiliza\u00e7\u00e3o postural, com m\u00ednimo custo energ\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"491\" height=\"246\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/image-5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1699\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os p\u00e9s s\u00e3o a interface entre o corpo e o solo, atrav\u00e9s desse captor percebermos e interagimos com nosso ambiente.<br \/>Para ficarmos em p\u00e9, em uma posi\u00e7\u00e3o tranquila, necessitamos de uma base (estrutura) sensorial podal \u00edntegra, que nos permite um bom controle e uma boa estabiliza\u00e7\u00e3o postural. Os p\u00e9s s\u00e3o considerados o input prim\u00e1rio do sistema postural, eles nos informam sobre a posi\u00e7\u00e3o do corpo no solo, podemos dizer que o captor podal \u00e9 a estrutura mais importante quando estamos em p\u00e9 (na posi\u00e7\u00e3o de bipedesta\u00e7\u00e3o). Por isso, a manipula\u00e7\u00e3o dessa entrada podal pode modificar toda a postura do indiv\u00edduo.<br \/>Para manipular a entrada podal, ou seja,  modificar as informa\u00e7\u00f5es percebidas pelos sensores dos p\u00e9s, \u00e9 importante que tenhamos conhecimentos deles. Podemos ter dois tipos de sensores podais:<br \/><br \/>\u25cf Exteroceptivos: sensores que captam informa\u00e7\u00f5es do meio ambiente externo, ou seja, nos d\u00e3o informa\u00e7\u00f5es da posi\u00e7\u00e3o do nosso corpo em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente. Est\u00e3o localizados na pele da planta dos p\u00e9s e respondem \u00e0s varia\u00e7\u00f5es de press\u00e3o menor de 1 grama.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Proprioceptivos: sensores que nos informam sobre uma parte do nosso corpo em rela\u00e7\u00e3o as outras. Esses receptores permitem saber a posi\u00e7\u00e3o, os movimentos das articula\u00e7\u00f5es, bem como a tens\u00e3o muscular.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos os receptores (extero e proprioceptivos) transmitem informa\u00e7\u00f5es para o tronco cerebral, cerebelo e c\u00e9rebro atrav\u00e9s da medula espinhal.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"417\" height=\"366\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/image-6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1700\"\/><figcaption>Imagem: nervo tibial e suas ramifica\u00e7\u00f5es. Fonte: Visibli Body (Human Anatomy Atlas)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No n\u00edvel da planta dos p\u00e9s, esse conjunto de receptores transmitem informa\u00e7\u00f5es das varia\u00e7\u00f5es de press\u00f5es exercidas na planta dos p\u00e9s.<br \/>Em resposta a essa informa\u00e7\u00e3o sensorial, as rea\u00e7\u00f5es posturais s\u00e3o iniciadas atrav\u00e9s dos m\u00fasculos posturais plantares.<br \/>Um exemplo disso, quando estamos em apuros, caindo, esses m\u00fasculos plantares aumentar\u00e3o sua atividade, ou seja, para toda amea\u00e7a postural haver\u00e1 um aumento da atividade muscular plantar.<br \/>O feedback ocorrer\u00e1 no n\u00edvel cut\u00e2neo atrav\u00e9s dos mecanorreceptores e o muscular atrav\u00e9s dos proprioceptores.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"247\" height=\"200\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/image-7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1701\"\/><figcaption>Imagem: receptores cut\u00e2neos da planta dos p\u00e9s.<br \/>Fonte: Cutaneous afferent innervation of the human<br \/>foot sol.pdf<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>As afer\u00eancias somest\u00e9sicas e efer\u00eancias musculares do p\u00e9 contribuem para a manuten\u00e7\u00e3o da postura ortost\u00e1tica.<br \/>Esses dois tipos de informa\u00e7\u00f5es sensoriais e motoras s\u00e3o asseguradas pelo nervo tibial, ou seja, qualquer disfun\u00e7\u00e3o do nervo tibial, poder\u00e1 repercutir no feedback sensorial ou na resposta muscular, ou nas duas coisas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"244\" height=\"127\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/image-8.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1702\"\/><figcaption>Imagem: nervo tibial e suas ramifica\u00e7\u00f5es<br \/>Fonte: Visibli Body (Human Anatomy Atlas)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Tipos de disfun\u00e7\u00f5es podais<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>Os p\u00e9s contribuem para a manuten\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o b\u00edpede e estabiliza\u00e7\u00e3o postural atrav\u00e9s de um aspecto biomec\u00e2nico e sensorial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Disfun\u00e7\u00e3o podal biomec\u00e2nica <br \/>Deformidades dos retrop\u00e9s e antep\u00e9s que poder\u00e3o descompensar ou n\u00e3o o conjunto postural.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplos: p\u00e9s valgos, p\u00e9s planos, p\u00e9s varos e p\u00e9s cavos.<br \/>Para ficar mais simples, \u00e9 muito frequente nos consult\u00f3rios encontrarmos p\u00e9s valgos, rota\u00e7\u00e3o interna dos eixos t\u00edbio-femoral, antivers\u00e3o da pelve, aumento da flecha lombar e proje\u00e7\u00e3o do centro de gravidade posterior.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"491\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/image-9.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1703\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u25cf Disfun\u00e7\u00e3o podal sensorial<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o altera\u00e7\u00f5es do sistema sensorial\/sensitivo atrav\u00e9s do nervo tibial, podendo descompensar inicialmente o arco inferior e posteriormente todo conjunto postural e estabilidade. Essas disfun\u00e7\u00f5es podais podem iniciar todas as altera\u00e7\u00f5es posturais (causa prim\u00e1ria) ou serem consequ\u00eancias de alguma desregula\u00e7\u00e3o dos sensores superiores (causa secund\u00e1ria) e que, em raz\u00e3o disso, agora os p\u00e9s se adaptam e se fixam nessas informa\u00e7\u00f5es err\u00f4neas plantares.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo cl\u00e1ssico deste tipo de disfun\u00e7\u00e3o podal \u00e9 um paciente com plano escapular anterior, ou seja, o centro de gravidade do paciente \u00e9 projetado para frente por uma altera\u00e7\u00e3o visceral, por exemplo, mudando as<br \/>informa\u00e7\u00f5es de press\u00f5es plantares.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"243\" height=\"404\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/image-10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1704\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Sintomas do captor podal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os sintomas mais frequentes do captor podal, s\u00e3o dores cr\u00f4nicas no aparelho locomotor, principalmente no arco inferior (p\u00e9s, joelhos, quadril e coluna lombar), coluna vertebral, al\u00e9m de associar com uma caracter\u00edstica t\u00edpica deste captor, que \u00e9 o aparecimento da sintomatologia ao ficar em p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Sintomas t\u00edpicos:<br \/>\u25cf Ci\u00e1tica;<br \/>\u25cf Lombalgia;<br \/>\u25cf Dor nos joelhos (meniscal, f\u00eamur-patelar);<br \/>\u25cf Dor nos p\u00e9s (espor\u00e3o de calc\u00e2neo, fasce\u00edte plantar);<br \/>\u25cf Al\u00e9m de sintomas neurovasculares como pernas pesadas, cansadas, formigamentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do captor podal deve ser realizada inicialmente de forma global, ou seja, avaliando todo conjunto postural atrav\u00e9s<br \/>dos testes:<br \/>\u25cf Posturo-est\u00e1tico;<br \/>\u25cf Posturodin\u00e2mico;<br \/>\u25cf Romberg postural;<br \/>\u25cf Manobra de converg\u00eancia podal. Posteriormente seguimos a avalia\u00e7\u00e3o locoregional, atrav\u00e9s dos testes:<br \/>\u25cf Apoio bipodal: onde avaliamos a posi\u00e7\u00e3o do retrop\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"245\" height=\"146\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/image-11.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1705\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u25cf Apoio unipodal: avaliamos o comportamento do retrop\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"244\" height=\"166\" src=\"http:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/image-12.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1706\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Importante dizer que devemos sempre avaliar os p\u00e9s, joelhos, o posicionamento da pelve, curvatura lombar e a posi\u00e7\u00e3o do plano escapular. Esses crit\u00e9rios s\u00e3o de suma import\u00e2ncia para um bom diagn\u00f3stico das palmilhas posturais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente e independente dos diagn\u00f3sticos das palmilhas, \u00e9 muito importante investigarmos as vias de comunica\u00e7\u00e3o neuronal, ou seja, investigar se as informa\u00e7\u00f5es podais e de todo corpo est\u00e3o adequadas atrav\u00e9s do sistema Nervoso Perif\u00e9rico (SNP), por meio de testes de refer\u00eancias neurais, neurovasculares.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir disso, colocamos as palmilhas testes e refazemos os testes posturais globais que citamos acima. Se for necess\u00e1rio continuaremos nossa abordagem atrav\u00e9s dos testes:<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Espinha Irritativa de apoio plantar;<br \/>\u25cf Teste da Perna Curta;<br \/>\u25cf Derrota\u00e7\u00e3o de quadril.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses testes ser\u00e3o realizados ap\u00f3s a coloca\u00e7\u00e3o das palmilhas testes e s\u00e3o muito importantes para o diagn\u00f3stico dos obst\u00e1culos posturais podais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O homem deve se adaptar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a da gravidade, para isso, ele utiliza seu sistema postural. A desregula\u00e7\u00e3o deste sistema pode gerar diversas sintomatologias como dores de cabe\u00e7a, lombalgias, tendinites, entre outras.<br \/>Um dos principais reguladores deste sistema postural s\u00e3o os p\u00e9s, gra\u00e7as a riqueza de sensores sens\u00edveis a pequenas press\u00f5es existentes sob a sola e, que uma vez alterados, podem gerar diversas sintomatologias e consequ\u00eancias posturais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por ANNA CLAUDIA LAN\u00c7A, CEI. \u00c9 um sistema autom\u00e1tico que trabalha para manter o corpo em p\u00e9 com uma oscila\u00e7\u00e3o m\u00ednima (1 a 4 graus) em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente externo. Para mantermos o equil\u00edbrio \u00e9 importante, \u00e9 importante que esse sistema seja alimentado por entradas sensoriais que recolhem informa\u00e7\u00f5es tanto do mundo externo (exosenssores) quanto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2099,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","inline_featured_image":false,"_mi_skip_tracking":false},"categories":[376],"tags":[372,124,8,16,75,371],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1698"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1698"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1698\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1707,"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1698\/revisions\/1707"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}