{"id":2240,"date":"2023-10-27T19:55:53","date_gmt":"2023-10-27T19:55:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/?p=2240"},"modified":"2023-10-27T19:55:54","modified_gmt":"2023-10-27T19:55:54","slug":"componente-mecanico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/componente-mecanico\/","title":{"rendered":"Componente Mec\u00e2nico"},"content":{"rendered":"\n<p>Escrito por Marcial Zanelli de Souza, PhD, D.O, MRO(Br) <br \/>Fisioterapeuta Osteopata <br \/>@marcial.ba<\/p>\n\n\n\n<p><br \/>Componente Mec\u00e2nico da doen\u00e7a e da cura.<\/p>\n\n\n\n<p>A.T. Still postulou que o corpo humano, dotado de comunica\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas entre os diversos sistemas,tamb\u00e9m pode adoecer por disfun\u00e7\u00f5es desses sistemas, criando a filosofia osteop\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de dizer que as leis da osteopatia n\u00e3o foram formuladas pela mente humana, \u00e9<br \/>f\u00e1cil perceber que o Dr. Andrew Taylor Still, o pai da osteopatia, conhecia o poder do<br \/>todo organizado em vantagem sobre as partes isoladas para a sa\u00fade global do ser humano. Uma das leis descritas por ele, a unidade do corpo, explicita a import\u00e2ncia da intera\u00e7\u00e3o entre as partes de um mesmo sistema e de sistemas distintos na manuten\u00e7\u00e3o da homeostasia, numa rela\u00e7\u00e3o de interdepend\u00eancia estabelecida. Interessante \u00e9 perceber que tal conceito, apesar de descrito no s\u00e9culo XIX, parece ainda n\u00e3o ter sido totalmente incorporado ou aceito por todas as classes de terapeutas atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma geral, v\u00e1rios sistemas org\u00e2nicos do corpo humano s\u00e3o muito abrangentes, como o sistema<br \/>circulat\u00f3rio, neural ou conjuntivo fascial. Tal abrang\u00eancia, muito mais que simples rela\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas<br \/>estruturais devem proporcionar, sobretudo, a comunica\u00e7\u00e3o entre as estruturas que comp\u00f5em o corpo. Assim, os sistemas precisam se comunicar para informar seu estado de atividades e receber informa\u00e7\u00f5es dos outros sistemas para que possam ajustar e harmonizar suas a\u00e7\u00f5es, normalmente sobre a reg\u00eancia do Sistema Nervoso Central (SNC), ou atuando de forma par\u00e1crina e aut\u00f3crina. Nessa intera\u00e7\u00e3o, os sistemas se intercomunicam por meios diversos, tais como as vias<br \/>neurais, hormonais ou qu\u00edmicas e MEC\u00c2NICAS, visando prover um corpo minimamente equilibrado. Essa \u00faltima merece algumas considera\u00e7\u00f5es para facilitar nossa compreens\u00e3o de como as rela\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas podem ser comunicadoras. A.T. Still postulou que o corpo humano, dotado de comunica\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas entre os diversos sistemas, tamb\u00e9m pode adoecer por disfun\u00e7\u00f5es desses sistemas, criando a filosofia osteop\u00e1tica.<br \/>Atualmente, o modelo mec\u00e2nico que mais se aproxima das afirma\u00e7\u00f5es de Still s\u00e3o baseadas na Tensegridade Arquitet\u00f4nica, descrita por Fuller (1961), artista, cientista e matem\u00e1tico. Neste modelo da engenharia, quando estruturas compressivas e tensionais s\u00e3o organizadas de uma forma verdadeiramente complementar, um sistema interligado dotado de capacidades extras \u00e9 criado. Tal sistema, caracterizado pela integralidade de suas partes reagindo em sinergia, \u00e9 capaz de partilhar sua demanda f\u00edsica igualmente entre seus constituintes, dissipando as for\u00e7as incidentes visando a manuten\u00e7\u00e3o da harmonia do conjunto. Fuller (1961) reconheceu 2 modelos de tensegridade arquitet\u00f4nica: o modelo geod\u00e9sico (Figura 1) e o modelo pr\u00e9 tensionado (Figura 2).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"241\" height=\"464\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2242\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Apesar de diferen\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica, tanto o modelo geod\u00e9sico quanto o pr\u00e9-tensionado,<br \/>podem manter a forma mesmo na aus\u00eancia da gravidade. David Robbie (1977) introduziu a ideia de que o modelo pr\u00e9-tensionado da tensegridade, composto por elementos resistentes \u00e0 tens\u00e3o e \u00e0 compress\u00e3o, est\u00e1 presente na organiza\u00e7\u00e3o estrutural do corpo humano (figura 3).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-1.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"244\" height=\"298\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2243\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando uma parte desse sistema se move ou recebe uma solicita\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, a tens\u00e3o criada \u00e9 transmitida, em maior ou menor propor\u00e7\u00e3o, ao conjunto todo, conferindo grande capacidade adaptativa \u00e0s demandas f\u00edsicas (figura 4)<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-2.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"235\" height=\"205\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2244\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Apesar da import\u00e2ncia desses aspectos de continuidade musculoesquel\u00e9tica, fundamentais para os terapeutas corporais, a influ\u00eancia das for\u00e7as mec\u00e2nicas sobre o corpo vivo \u00e9 ainda mais abrangente, pois o princ\u00edpio da integralidade quais somos regidos, determina a liga\u00e7\u00e3o entre todas as estruturas corporais, desde a pele at\u00e9 os genes (Figura 5). Por essa ideia, a tensegridade \u00e9 o modelo da ultra liga\u00e7\u00e3o entre todos os sistemas macro e micro existentes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-3.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"295\" height=\"277\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2245\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O Professor Donald Ingber descreveu essa organiza\u00e7\u00e3o pr\u00e9-tensionada em pra\u0002ticamente todos tecidos, \u00f3rg\u00e3os, c\u00e9lulas e at\u00e9 mol\u00e9culas, chamando ent\u00e3o de bio\u0002tensegridade (INGBER et al,, 2003b,c). A figura 6 mostra a rela\u00e7\u00e3o da biotensegri\u0002dade como modelo de organiza\u00e7\u00e3o de compress\u00e3o e tens\u00e3o presente at\u00e9 o n\u00edvel<br \/>molecular (INGBER, 2008).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-4.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"537\" height=\"256\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2246\" srcset=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-4.png 537w, https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-4-480x229.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 537px, 100vw\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Esse professor descreveu ainda que o sistema de tensegridade pr\u00e9-tensiona\u0002da ao n\u00edvel celular \u00e9 formado, sobretudo, pelas estruturas do citoesqueleto, que<br \/>respondem \u00e0s for\u00e7as externas transmitindo-as para o interior da c\u00e9lula. Assim, os<br \/>microt\u00fabulos seriam resistentes \u00e0s compress\u00f5es e os microfilamentos juntamente<br \/>com os filamentos intermedi\u00e1rios seriam resistentes \u00e0s tens\u00f5es (Figura 7).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-5.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"535\" height=\"287\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2247\" srcset=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-5.png 535w, https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-5-480x257.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 535px, 100vw\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>&#8221;Interessante \u00e9 perceber que tal conceito, apesar de descrito no s\u00e9culo XIX, parece ainda n\u00e3o ter sido totalmente incorporado ou aceito por todas as classes de terapeutas atuais.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-6.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"330\" height=\"345\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2248\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ter fun\u00e7\u00f5es relacionadas com a forma e contorno da c\u00e9lula, o citoesqueleto est\u00e1 diretamente ligado ao n\u00facleo celular, podendo gerar influ\u00eancias sobre o controle da vida celular.<br \/>Esses componentes do citoesqueleto est\u00e3o ligados a um receptor mec\u00e2nico da membrana celular chamada Integrina, que se liga tamb\u00e9m a fibras proteicas da matriz extracelular<br \/>(Figura 9). As integrinas fazem a liga\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica da membrana celular com o seu n\u00facleo. O sistema de tensegridade pr\u00e9-tensiona\u0002do das c\u00e9lulas, proporcionado pela organiza\u00e7\u00e3o das fibras do citoesqueleto com suas integrinas, possibilita a convers\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas que chegam \u00e0s membranas celulares em altera\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas e transcri\u00e7\u00e3o g\u00eanica, fen\u00f4meno conhecido por mecanotransdu\u00e7\u00e3o (INGBER, 2003a)<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-7.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"335\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2249\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Assim, atrav\u00e9s da mecanotransdu\u00e7\u00e3o, o destino da c\u00e9lula pode ser influenciado pelas a\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas que incidem sobre suas membranas, basicamente atuando sobre 3 vias:<\/p>\n\n\n\n<p>1) Alenghat et. al. (2009)<br \/>demonstraram que for\u00e7as mec\u00e2nicas aplicadas so\u0002bre as integrinas podem modular a produ\u00e7\u00e3o do AMPc\u00edclico e ,subsequen\u0002temente, levar a ativa\u00e7\u00e3o de fatores de transcri\u00e7\u00e3o do n\u00facleo celular;<\/p>\n\n\n\n<p>2) Maniots et. al. (1997)<br \/>j\u00e1 haviam demonstrado que a liga\u00e7\u00e3o citoesque\u0002l\u00e9tica entre as integrinas e o n\u00facleo celular poderia afetar a express\u00e3o gen\u00e9ti\u0002ca por regular a abertura e fechamento dos poros da membrana nuclear ou<br \/>agir diretamente sobre re\u0002gi\u00f5es espec\u00edficas do DNA;<\/p>\n\n\n\n<p>3) Matthews et. al. (2010)<br \/>demonstraram que ca\u0002nais i\u00f4nicos podem ser regulados pelas a\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas que incidem sobre as c\u00e9lulas, como os canais de C\u00e1lcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplos destes mecanismos podem ser visualizados nas figuras 10 e 11.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-9.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"529\" height=\"304\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-9.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2251\" srcset=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-9.png 529w, https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-9-480x276.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 529px, 100vw\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-10.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"523\" height=\"262\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2252\" srcset=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-10.png 523w, https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-10-480x240.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 523px, 100vw\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Como descrito anteriormente, as a\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas as quais uma c\u00e9lula \u00e9 submetida, pode influenciar seus mecanismos de controle vital, como seu crescimento, prolifera\u00e7\u00e3o e apoptose (morte programada). Desequil\u00edbrios nessa sintonia fina podem resultar em doen\u00e7as<br \/>marcadas pelos extremos da prolifera\u00e7\u00e3o ou da apoptose celular.<br \/>Como visto, as integrinas representam o elo mec\u00e2nico entre os meios intra e extracelular. Nesse contexto, a matrix extracelular (MEC), formada por fi\u0002bras proteicas, c\u00e9lulas, e subst\u00e2ncia fundamental amorfa (\u00e1gua, glicosaminoglicanas e proteoglicanos) t\u00eam grande import\u00e2ncia na homeostasia celular, pois suas fibras conectam-se \u00e0s integrinas exercendo for\u00e7as mec\u00e2nicas (Figura 12).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-11.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"436\" height=\"393\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-11.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2253\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Tal import\u00e2ncia pode ser medida em volumes, pois se temos 5 a 6 litros de sangue circulante, temos 16 a 18 litros de l\u00edquidos dispersos no meio extracelular. A rela\u00e7\u00e3o entre as fibras proteicas e a subst\u00e2ncia fundamental amorfa, sobretudo os proteoglicanos<br \/>(respons\u00e1veis pela capacidade hidr\u00f3fila da MEC), conferem o grau de consis\u0002t\u00eancia da MEC, variando entre estados mais ou menos densos. Esse estado tr\u00f3fico da MEC pode influenciar a vida celular, como veremos adiante. As rela\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas entre a MEC e as repostas celulares parecem claras.<br \/>No estudo de Huang e Ingber (2006), c\u00e9lulas cultivadas em meio extracelular com geometria restrita, iniciaram processos de apoptose, enquanto quando cultivadas em meio extracelular com geometria ampla, iniciaram processos de prolifera\u00e7\u00e3o (figura 13).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-12.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"389\" height=\"287\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-12.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2254\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Tal estudo esbo\u00e7a in vitro, a teoria do Professor Alfred Pischinger da Universidade de Viena, fundador da histoqu\u00edmica, que creditou \u00e0 matriz extracelular papel determinante nos processos biol\u00f3gicos normais e patol\u00f3gicos de uma c\u00e9lula, criando o chamado Sistema B\u00e1sico de Pischinger. Por este sistema, a matriz extracelular n\u00e3o representa apenas um meio de preenchimento intercelular, mas consiste do elemento estrutural da sa\u00fade das<br \/>c\u00e9lulas. A maior \u00e1rea do sistema b\u00e1sico de Pischinger \u00e9 a mucosa intestinal, por isso os h\u00e1bitos diet\u00e9ticos s\u00e3o t\u00e3o importantes para a sa\u00fade do indiv\u00edduo. A consist\u00eancia da matriz extracelular<br \/>parece ser determinante sobre as for\u00e7as mec\u00e2nicas aplicadas \u00e0s integrinas da membrana celular. Devido \u00e0 sua capacidade hidr\u00f3fila, a MEC pode se se apresentar mais ou menos hidratada, com<br \/>suas fibras mais ou menos densas, e essas conforma\u00e7\u00f5es refletir\u00e3o sobre o equil\u00edbrio dos mecanismos do controle vital das c\u00e9lulas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-13.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"396\" height=\"376\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-13.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2255\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A figura (14) exemplifica que a densifica\u00e7\u00e3o da matriz extracelular \u00e9 captada pela integrina e a via da prote\u00edna Rho-ROCK ativada interage com a via da prote\u00edna ras-erk, resultando em codifica\u00e7\u00e3o nuclear para a prolifera\u00e7\u00e3o celular, que pode representarres\u0002postas normais ou patol\u00f3gicas da c\u00e9lula (HUANG; INGBER 2005). J\u00e1 se reconhece que a maior parte dos tumores s\u00e3o circundados por MEC enrijeci\u0002das (HUANG; INGBER 2006).<br \/>A consist\u00eancia tr\u00f3fica da ma\u0002triz extracelular parece ser in\u0002fluenciada por seu estado de acidose ou alcalose, sendo que nos per\u00edodos de acidose (entre 3:00 e 15:00 horas), a matriz est\u00e1 mais hidratada e intumes\u0002cida. Esse per\u00edodo correspon\u0002de ao predom\u00ednio simpatico\u0002t\u00f4nico e capta\u00e7\u00e3o dos radicais<br \/>livres. Nos per\u00edodos de alcalo\u0002se (entre 15:00 e 3:00 horas), a matriz est\u00e1 menos hidratada e retra\u00edda, correspondendo ao predom\u00ednio parassimpaticot\u00f4\u0002nico e elimina\u00e7\u00e3o dos radicais livres. Esse p\u00eandulo \u00e1cido\/b\u00e1sico alternante cria um ciclo de pres\u0002s\u00f5es vari\u00e1veis sobre as c\u00e9lulas que \u00e9<br \/>vital para sua fisiologia normal, tais como o fornecimento de O2, regula\u0002\u00e7\u00e3o de eletr\u00f3litos, equil\u00edbrio \u00e1cido\/b\u00e1sico, nutri\u00e7\u00e3o, defesa e modula\u0002\u00e7\u00e3o neural (Figura 15).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-14.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"247\" height=\"222\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-14.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2256\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>&#8221;Os terapeutas manuais e Osteopatas est\u00e3o habituados a avaliar os sistemas corporais, valorizando suas texturas, mobilidade tissular, sensibilidades e temperaturas. A perda da mobilidade tridimensional das estruturas avaliadas tem grande interesse para esses terapeutas.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do turnover (taxa de renova\u00e7\u00e3o) da MEC poder\u00e1 ocasionar a perda desse equil\u00edbrio de a\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas sobre as c\u00e9lulas repercutindo na mecanotransdu\u00e7\u00e3o intracelular e contribuir para a gera\u00e7\u00e3o de estados patol\u00f3gicos (INGBER, 2003a ). A figura 16 exemplifica doen\u00e7as relacionadas com o desequil\u00edbrio apoptose\/prolifera\u00e7\u00e3o que podem ocorrer em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es na densidade da matriz extracelular.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-15.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"396\" height=\"333\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-15.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2257\"\/><\/a><figcaption>Fig. 16. Doen\u00e7as e seus aspectos geracionais.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios estudos j\u00e1 identificaram a rela\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o na densidade da MEC e consequentemente na mecanotransdu\u00e7\u00e3o com doen\u00e7as espec\u00edficas, tais como cardiomiopatias, osteoporose, distrofia muscular, asma, arterosclerose entre outras (INGBER 2003a; JAALOUK; LAMMERDING, 2009).<br \/>Os terapeutas manuais e Osteopatas est\u00e3o habituados a avaliar os sistemas corporais, valorizando suas texturas, mobilidade tissular, sensibilidades e temperaturas. A perda da mobilidade tridimensional das estruturas avaliadas tem grande interesse para esses terapeutas.<br \/>Al\u00e9m das influ\u00eancias intracelulares geradas pela MEC densificada, essa condi\u00e7\u00e3o exp\u00f5e os tecidos dos sistemas corporais \u00e0 estados patol\u00f3gicos de qualquer natureza, pois sua capacidade adaptativa necess\u00e1ria para a absor\u00e7\u00e3o e dissipa\u00e7\u00e3o de fluxos energ\u00e9ticos ser\u00e1 reduzida. Os osteopatas reconhecem esse estado como sendo a vulnerabilidade do sistema, uma vez que o ac\u00famulo energ\u00e9tico n\u00e3o dissipado nessa situa\u00e7\u00e3o representa a perda da comunica\u00e7\u00e3o entre os sistemas relacionados, resultando em desequil\u00edbrios do meio interno gerando uma condi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel ao aparecimento de estados patol\u00f3gicos oportunistas. A figura 17 faz uma analogia desse mecanismo, mostrando que as diferentes densidades da mat\u00e9ria influenciar\u00e3o suas respostas frente \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas (BARRAL; CROIBIER, 1999). A melhor maneira que os tecidos devem encontrar para lidar com as cargas que lhes s\u00e3o impostas \u00e9 a dissipa\u00e7\u00e3o para distribui\u00e7\u00e3o das mesmas, o que n\u00e3o acontecer\u00e1 plenamente se suas consist\u00eancias n\u00e3o estiverem normais, resultando em excesso de carga acumulada e a consequente patologia deformante. Acreditamos que tal vulnerabilidade exp\u00f5e o sistema ao acometimento de estados patol\u00f3gicos n\u00e3o apenas de resultante de for\u00e7as f\u00edsicas, mas de qualquer natureza<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-16.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"497\" height=\"257\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-16.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2258\" srcset=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-16.png 497w, https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-16-480x248.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 497px, 100vw\" \/><\/a><figcaption>Fig. 17. Diferentes respostas da mat\u00e9ria dependente de sua consist\u00eancia.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando os osteopatas atuam terapeuticamente sobre os tecidos, sua meta maior normalmente \u00e9 restaurar a comunica\u00e7\u00e3o entre os tecidos atrav\u00e9s da mobilidade livre, favorecendo o equil\u00edbrio dos sistemas biol\u00f3gicos interligados. Suas a\u00e7\u00f5es sobre o trofismo do tecido em tratamento possibilita o restabelecimento da comunica\u00e7\u00e3o inter e intra sistemas, a partir da maior mobilidade tissular e de suas interfaces. De forma geral, esses terapeutas utilizam as m\u00e3os para gerarem vetores mec\u00e2nicos de for\u00e7a induzindo modifica\u00e7\u00f5es nos tecidos, sobretudo na matriz extracelular e\/ou diretamente sobre as c\u00e9lulas (Figura 18).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-17.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"409\" height=\"228\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-17.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2259\"\/><\/a><figcaption>Fig. 18. A aplica\u00e7\u00e3o for\u00e7as mec\u00e2nicas pela m\u00e3o do terapeuta.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Schleip et al. (2012), demonstraram que um vetor de for\u00e7a de estiramento mecanicamente induzido sobre o tecido conjuntivo denso, gera desidrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria da MEC, seguida de uma hidrata\u00e7\u00e3o maior, considerando essa resposta como uma supercompensa\u00e7\u00e3o (figura 19).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-18.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"274\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-18.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2260\" srcset=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-18.png 560w, https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-18-480x235.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 560px, 100vw\" \/><\/a><figcaption>Fig. 19. Rela\u00e7\u00e3o entre estiramento conjuntivo com a hidrata\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria supercompensada da matriz extracelular.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Esse recente estudo mostra o potencial que a for\u00e7a mec\u00e2nica tem sobre o turnover da MEC, estimulando a renova\u00e7\u00e3o dos fluidos intersticiais e consequentemente sobre todos os mecanismos descritos nesse texto.<br \/>Os efeitos fisiol\u00f3gicos conhecidos dos vetores mec\u00e2nicos induzidos pela m\u00e3o do terapeuta s\u00e3o v\u00e1rios, considerando ainda os n\u00e3o totalmente conhecidos:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>A n\u00edvel celular, a estimula\u00e7\u00e3o das integrinas podem gerar respostas na condut\u00e2ncia i\u00f4nica (sobre os canais de c\u00e1lcio), na transcri\u00e7\u00e3o g\u00eanica influenciando no crescimento e prolifera\u00e7\u00e3o dos fibroblastos e miofibroblastos (BERRY et al. 2003). Fibroblastos \u201cestirados\u201d resultam na inibi\u00e7\u00e3o da interleucina 1B (citocina pr\u00f3- inflamat\u00f3ria), demonstrando potencialidades na regula\u00e7\u00e3o dos processos inflamat\u00f3rios. (TSUZAKI et al., 2003).<\/li><li>Os tecidos conjuntivos s\u00e3o considerados \u201ccristais l\u00edquidos\u201d (JUHAN, 1987), o que lhes conferem a capacidade piezoel\u00e9trica, a gera\u00e7\u00e3o de cargas el\u00e9tricas a partir de est\u00edmulos mec\u00e2nicos de compress\u00e3o. Fibroblastos s\u00e3o c\u00e9lulas sens\u00edveis \u00e0s cargas el\u00e9tricas, aumentando sua rela\u00e7\u00e3o de s\u00edntese de col\u00e1geno sempre que expostos a essas cargas. Assim, a estimula\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica do tecido pode influenciar diretamente sua s\u00edntese fibrosa.<\/li><li>A estimula\u00e7\u00e3o do turnover da MEC pelos vetores mec\u00e2nicos, geram melhores rela\u00e7\u00f5es de deslizamentos entre as camadas conjuntivas (maior viscosidade) e a consequente redu\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es dolorosas. Acredita-se que tal fato se deve \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o do estado GEL (menos male\u00e1vel) para o estado SOL (mais male\u00e1vel) da MEC (DAY et al., 2009), fen\u00f4meno conhecido como Tixotropia. Essa mudan\u00e7a favorece a melhora na drenagem do edema e de mediadores inflamat\u00f3rios, equilibrando as vias de facilita\u00e7\u00e3o ativadas entre os sistemas (LUND et al., 2002). A figura 20 monstra uma imagem ultrassonogr\u00e1fica cut\u00e2nea do p\u00e9, evidenciando a maior hidrata\u00e7\u00e3o do tecido conjuntivo e a menor densidade col\u00e1gena ap\u00f3s tratamento manual (POHL, 2010).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-19.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"336\" height=\"299\" src=\"https:\/\/www.idot.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-19.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2261\"\/><\/a><figcaption>Fig. 20. Imagem ultrassonogr\u00e1fica cut\u00e2nea do p\u00e9 antes e ap\u00f3s tratamento manual.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<ul><li>McPartland et al. (2005) demonstraram que o tratamento manipulativo do tecido mole pode ativar o sistema endocanabin\u00f3ide, um sistema endorf\u00ednico que reduz a nocicep\u00e7\u00e3o, a dor e a inflama\u00e7\u00e3o nos tecidos miofasciais, favorecendo a reorganiza\u00e7\u00e3o das f\u00e1scia.<\/li><li>A redu\u00e7\u00e3o da dor verificada com as t\u00e9cnicas manuais aplicadas no tecido mole tem sido relacionada com a modula\u00e7\u00e3o da simpaticotonia, melhorando uma s\u00e9rie de aspectos som\u00e1ticos e viscerais, vistos nas fun\u00e7\u00f5es hemodin\u00e2micas (RIVERS et al., 2008), na variabilidade da frequ\u00eancia card\u00edaca e na doen\u00e7a arterial perif\u00e9rica (LOMBARDINI et al., 2009).<\/li><li>Os vetores mec\u00e2nicos, aplicados sobre o sistema conjuntivo, podem ser respons\u00e1veis pelas respostas na regula\u00e7\u00e3o do t\u00f4nus das unidades motoras relacionadas ao tecido manipulado (sistemas Alfa e Gama), pois estes tecidos, sobretudo as f\u00e1scias e meninges, s\u00e3o dotado de rica rede de mecanoreceptores, como os corp\u00fasculos de Pacini, de adapta\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, e corp\u00fasculos Ruffini de adapta\u00e7\u00e3o lenta (YAHIA et al., 1992). Van Den Berg e Capri (1999), apontaram para a a\u00e7\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o da simpaticotonia verificada pelo est\u00edmulo dos corp\u00fasculos de Ruffini, justificando os achados cl\u00ednicos de relaxamento global e local verificado em pacientes submetidos \u00e0 procedimentos manuais lentos e suaves, como as t\u00e9cnicas craniosacrais.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<br \/><\/strong>Os fatores mec\u00e2nicos est\u00e3o presentes no processo de desenvolvimento das doen\u00e7as, seja no \u00e2mbito macro ou micro estrutural A aplica\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas manuais sobre os tecidos biol\u00f3gicos geram vetores de for\u00e7a com potencialidades de influenciar at\u00e9 a transcri\u00e7\u00e3o g\u00eanica, utilizando a\u00e7\u00f5es diretas sobre as c\u00e9lulas e seus receptores de tens\u00e3o localizados em suas membranas ou sobre o trofismo da MEC como elemento intermedi\u00e1rio. Assim, a maleabiliza\u00e7\u00e3o da MEC, conseguida pelas t\u00e9cnicas osteop\u00e1ticas aplicadas no modo direto ou funcional pode agir tanto no \u00e2mbito terap\u00eautico quando preventivo, atuando diretamente sobre as c\u00e9lulas, tecidos e\/ou as sobre todos os outros sistemas de controle relacionados.<br \/>H\u00e1 muito que se pesquisar nessa dire\u00e7\u00e3o ainda, mas sabemos hoje que os efeitos das for\u00e7as mec\u00e2nicas aplicadas pelas m\u00e3os de um terapeuta sobre o corpo humano t\u00eam potencialidades muito maiores do que aquelas que pens\u00e1vamos \u00e0 tempos atr\u00e1s.<br \/>Quando A.T. Still apontou para a exist\u00eancia dos componentes mec\u00e2nicos na cadeia geracional das doen\u00e7as e a formula\u00e7\u00e3o da filosofia osteop\u00e1tica como recurso terap\u00eautico, apesar da descren\u00e7a geral da \u00e9poca, ele estava certo\u2026, sempre esteve.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por Marcial Zanelli de Souza, PhD, D.O, MRO(Br) Fisioterapeuta Osteopata @marcial.ba Componente Mec\u00e2nico da doen\u00e7a e da cura. A.T. Still postulou que o corpo humano, dotado de comunica\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas entre os diversos sistemas,tamb\u00e9m pode adoecer por disfun\u00e7\u00f5es desses sistemas, criando a filosofia osteop\u00e1tica. 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