Influência do tratamento osteopático na dor lombossacra: Estudo de Caso

Aluna: Valkyria Sayuri Kobo Yoshii

Supervisora: Prof. Anna Claudia Lança, C.E.I

  1. Introdução

A dor lombar baixa (DLB) é considerada como uma das queixas mais comuns nas disfunções musculoesqueléticas, gerando impacto psicossocial e econômico. 1

Podemos encontrar variados tratamentos para a DLB na literatura, como tratamento medicamentoso, exercícios físicos, eletroterapia e também a terapia manual.2

A procura pelo tratamento osteopático, no âmbito da terapia manual, vem aumentando a cada ano na escala mundial.3

Conforme a American Osteopathic Association, o tratamento manipulativo osteopático (TMO) é definido como uma ação terapêutica com intervenção manual a fim de melhorar a função fisiológica ou promover a homeostase que foi modificada pela disfunção somática.4

Franke et al. (2014) analisa em sua revisão sistemática o TMO nas dores lombares não específicas em 15 estudos previamente selecionados. Como resultado, observaram que o TMO melhorou a dor e a funcionalidade nos pacientes com DLB crônicos e agudos. Porém, a amostragem pequena, o curto período de análise e a falta de heterogeneidade entre os estudos, limitou esse trabalho.5

Este caso clínico tem como objetivo analisar a influência que o tratamento osteopático pode proporcionar na dor crônica e na funcionalidade do indivíduo com DLB, possibilitando novas análises e discussões abordando esse tema.

  • Metodologia

2.1 Apresentação do paciente

Idade: 51 anos

Gênero: feminino

Etnia: mulato

Profissão: do lar

Queixa primária: dor lombossacra.

Queixa secundária: dor cervicotorácica, dor no cóccix, dor nos MMSS.

Histórico médico: fibromialgia, tendinite dos ombros, fratura do cóccix (2014).

Comorbidades: diabetes (há 1 ano).

Intervenções passadas: cirurgia de histerectomia (10 anos atrás).

2.2 Avaliação diagnóstica

Teste de exclusão: não foi realizado por não haver sinais e sintomas coerentes.

Teste relacional funcional:

Ÿ Flexão de tronco em pé.

Ÿ Flexão do MII com o outro estendido em DD.

Ÿ Slump Test.

Testes referenciais: convergência podal.

Exame físico (inspeção, palpação, TMG, testes específicos):

Ÿ Inspeção:

a) Vista anterior: cabeça lateralizada para D, sugerindo uma disfunção cervicotorácica, ombro E elevado, sugerindo uma disfunção da articulação glenoumeral, joelhos com rotação interna.

b) Vista lateral: cabeça anteriorizada, sugerindo uma flexão de C2 e uma extensão de C0.

c) Vista posterior: prega glútea mais baixa à D, sugerindo um ilíaco posterior.

Ÿ Palpação: esclerótomo sobre S1-S5 e cóccix.

Ÿ TMG:

a) Flexão de tronco: dor na região sacral (hipomobilidade lombar).

b) Extensão de tronco: dor na região cervicotorácica (hipomobilidade) e lombar (quebra de curva).

c) Rotação de tronco: para os dois lados com dor na região sacral.

d) Flexão lateral do tronco: para os dois lados com dor na região sacral.

Exames laboratoriais: nenhum.

Exames de imagem: raio x  de cóccix de 2017 e 2019.

Recursos do NUPI (ex.: amplitude de movimento do joelho avaliada pela goniometria):

Ÿ Banco de Wells.

Ÿ Questionário Roland-Morris (avaliação da funcionalidade).

Ÿ Questionário Escala Tampa para Cinesiofobia (avaliação da cinesiofobia).

Ÿ Escala Visual Analógica (EVA).

2.3 Sistemas encontrados na avaliação


Os números sobrescritos estão destacados em verde.

 

2.4 Planejamento

2.5 Intervenção

  • Resultados parciais

Teste relacional funcional:

– Flexão de tronco em pé: realizou com dor discreta em região lombossacra e com melhora da amplitude de movimento (ADM).

– Flexão do Membro Inferior (MII) com o outro estendido em Decúbito Dorsal (DD): realizou sem queixa de dor lombar e com melhora da ADM.

  • Slump Test: realizou sem queixa de dor na região lombossacra, com maior ADM para flexão do tronco.

Exame físico e testes específicos:

– Palpação: melhora do esclerótomo em sacro, mas ainda levemente sensível em cóccix.

– TMG: melhora da ADM e da dor lombossacra para flexão de tronco, os demais movimentos ficaram para serem retestados ao final do último atendimento.

Recursos do NUPI:

– Banco de Wells: resultado no sistema Osteon.

– Questionário de Roland-Morris: resultado no sistema Osteon.

– Questionário Escala Tampa para Cinesiofobia: resultado no sistema Osteon.

– EVA:

Discussão

Os resultados encontrados ao final do estudo demonstraram uma melhora da mobilidade lombopélvica e também uma diminuição da dor referida.

A evolução da melhora da dor pode ser verificada na Tabela 1, em que a EVA inicial era de 9 e ao final foi reduzida para 3.

Semelhantemente ao estudo de Licciardone et al. (2014), verificou-se uma melhora da EVA em seus pacientes com dor lombar baixa após o tratamento com técnicas osteopáticas manuais com 5 sessões de atendimentos.6

Os movimentos reavaliados nos testes relacionais funcionais ao final do estudo também demonstraram uma melhora significativa.

De acordo com os relatos da paciente, as suas queixas iniciais de dor nas posições mantidas para permanecer sentada, ficar em pé por muito tempo e manter-se na posição deitada, melhoram relativamente.

No estudo de Franke et al. (2014), o status de funcionalidade para dor lombar baixa aguda e crônica foi classificado como evidência de qualidade moderada, e relata que as técnicas osteopáticas tiveram maior efeito sobre a dor do que na funcionalidade.5

O déficit de organização deste trabalho prejudicou a aplicação dos questionários de avaliação da funcionalidade e do questionário de cinesiofobia final; além da mensuração com o Banco de Wells, que comprometeram a análise dos dados.

A falta de uma padronização das imagens no pré e no pós-tratamento também foi uma limitação deste estudo.

É preciso ressaltar que a melhora clínica observada foi relevante, porém os componentes avaliativos quantitativos precisariam de maior atenção.

Foi possível observar neste estudo que o tratamento com técnicas osteopáticas melhorou o sintoma de dor na região lombossacra e a mobilidade da paciente.

A paciente assinou o termo de consentimento livre e esclarecido para a realização deste trabalho.

Referências bibliográficas

  1. Hanson GCJones BBacon CJMoran RW. Exploration of clinical changes following a novel mobilisation technique for treatment of chronic low back pain: A single cohort design. J Bodyw Mov Ther. 2016 Jul;20(3):571-8.
  2. Martínez FC, Vera AJI, Amat AM, Contreras FH, Vega RL, Short-term effectiveness of the flexion-distraction technique in comparison with high-velocity vertebral manipulation in patients suffering from low-back pain. Complementary Therapies in Medicine, 2019.doi:10.1016/j.ctim.2019.02.012 
  3. Verhaeghe N, Schepers J, van Dun P, Annemans L. Osteopathic care for low back pain and neck pain: A cost-utility analysis. Complementary Therapies in Medicine 2018. doi:10.1016/j.ctim.2018.06.001
  4. Smith MS, Olivas J, Smith K. Manipulative Therapies: What Works. American Family Physician, 2019. Fev;99(4):248-252. www.aafp.org/afp
  5. Franke H, Franke JD, Fryer G. Osteopathic manipulative treatment for nonspecific low back pain: a systematic review and meta-analysis. BMC Musculoskeletal Disorders 2014, 15:286. 
  6. Licciardone JC, Kearns CM, Crow WT. Changes in biomechanical dysfunction and low back pain reduction with osteopathic manual treatment: Results from the OSTEOPATHIC Trial. Manual Therapy, 2014. 1-7