A natureza como aliada

Texto: Prof. William Paes

Andrew Taylor Still relata no livro The Philosophy and Mechanical Principles of
Osteopathy (A Filosofia e os Princípios Mecânicos da Osteopatia), que desde 1855 começou a dar razão a sua fé nas leis da vida e da natureza.


Porém, apenas em 1874 foi criado o termo Osteopatia. Em seus livros, iremos nos deparar com trechos importantes, lembrando e refletindo a todo o momento o poder de autocura do corpo. Ainda na referida obra, pertencente ao capítulo II sobre “Os fluidos do corpo”, ele descreve:


“Se existem mil tipos de fluidos em nossos corpos, mil usos os exigem, ou não
aparecerão. Saber como e por que eles existem na economia da vida é o estudo do homem que atua somente quando sabe em que lugares cada um deve aparecer e preencher a parte e usar para o qual foi projetado. Se a demanda por uma substância for absoluta, sua chance de atuar e responder a essa chamada e obedecer ao comando não deve ser dificultada enquanto está em preparação, nem em sua jornada até seu destino, pois, em seu poder, todas as ações podem depender. Sangue, albumina, ácidos, álcalis, óleos, fluidos cerebrais e outras substâncias, formadas por associações durante processos fisiológicos de formação, devem estar no tempo, no lugar e medidos abundantemente, que as leis biogênicas da Natureza podem ter poder total e tempo para agir. Assim, todas as coisas podem estar no lugar e em quantidades amplas e ainda falhar, porque o poder é retido e não há ação por falta de fluidos cerebrais com o poder de vivificar toda a Natureza  animada. Não podemos fazer mais do que alimentar e confiar nas leis da vida, à medida que a Natureza as dá ao homem.
Devemos organizar nossos corpos em linhas tão verdadeiras que a ampla Natureza pode selecionar e associar, por suas medidas e pesos definidos e seu poderoso poder de escolha de tipos, o que pode fazer todos os fluidos necessários para nossos usos corporais, do sangue bruto para as chamas ativas da vida, como são vistas quando se colocam para o dever, obedecendo aos editos da mente do Infinito”.


Por esse motivo, precisamos estar atentos às pessoas que buscam a Osteopatia como forma de diagnóstico e tratamento, entendendo que as leis da natureza a regem e a todos os seres humanos, isto está em nossa biologia e de todos os seres vivos.

A interação do ser humano com o meio ambiente é o que irá modular o nosso sistema nervoso autônomo em relação às grandes variáveis que possam existir durante a vida. O termo “Homeostase”, segundo Claude Bernad, é um meio relativamente estável, ou seja, buscamos o equilíbrio dentro do desequilíbrio no anseio de corrigir as alterações que ameacem o funcionamento normal.

Doutor Stephen W. Porges traz a Teoria Polivagal com importantes observações sobre o sistema nervoso autônomo e a reação desse sistema frente aos desafios do meio ambiente, e faz uma reflexão:

“[…] E se estamos fazendo coisas baseadas em princípios organizacionais e em teorias que não são realmente biológicas ou não têm consistência biológica com quem somos?”

A Nova Medicina Germânica está baseada nos descobrimentos do Dr. Ryke Geerd Hamer perante as leis biológicas que estão fundamentadas nas ciências naturais. Ele descobriu as Cinco Leis Biológicas que explicam as causas e a cura natural das “enfermidades” com base nos princípios biológicos naturais, revelando que tudo na natureza há um sentido biológico.


Assim, grandes estudiosos sempre tendem a voltar à origem para que possamos compreender a relação do Homem e a sua interação com o meio. Essas citações vêm a corroborar a real importância de observarmos como a pessoa que nos procura está se expressando em relação ao mundo.

Dr. Andrew Taylor Still sempre respeitou as leis da natureza e qual era o propósito dos tecidos vivos no corpo humano. Em seu livro já citado anteriormente, traz luz ao “corpo material, o ser espiritual, e um ser mental muito superior a todos os movimentos vitais e formas materiais, cujo dever é gerir com sabedoria esse grande motor da vida”. E nos fala com sabedoria:

“Quando esta ótima máquina, o Homem, deixa de se mover em todas as suas partes, que chamamos de morte, a faca do explorador não descobre nenhuma mente, nenhum movimento. Ele simplesmente encontra questões formuladas, sem motor para movê-lo, sem a menor intenção de dirigi-lo. Ele pode rastrear os canais através dos quais os fluidos circularam, e ele pode encontrar a relação de peças com outras partes; na verdade, pela faca que ele pode expor para ver toda a maquinaria que uma vez foi sabiamente ativa”.

Nessas palavras, observamos que um corpo físico sem uma consciência que o dirija não é capaz de sustentar a vida. A reflexão sobre “a natureza como nossa aliada” e como a Osteopatia pode contribuir em nossa sociedade e humanidade, vem ao encontro do “Sistema de Saúde” não apenas de nosso país, o Brasil, mas também em outras partes do mundo.


A Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2014, alerta que a resistência de bactérias a antibióticos é uma ameaça global. Dentro dessa perspectiva, infringimos a relação causa e consequência, e a interação do indivíduo com o meio ambiente.

Nós profissionais que atuamos com a Osteopatia e dizemos seguir os princípios descritos por Dr. Andrew Taylor Still, devemos vigiar constantemente a nossa consciência e nossas mãos, que é nossa ferramenta de trabalho, para não buscarmos apenas os efeitos como consequência em um corpo físico que responde a uma consciência, a uma biologia, a uma Natureza.

Assim, tomemos cuidado para não tornar uma filosofia tão bela apenas uma abordagem mecanicista…; aplicando somente técnicas e nos preocupando exclusivamente com os sintomas, ou até mesmo nos restringindo ao sistema musculoesquelético, que sim é um importante sistema dinâmico para as nossas funções diárias, mas não o único.


A Osteopatia pode contribuir muito com a nossa sociedade, que sofre de forma
contínua os efeitos de uma saúde que ignorou o Ser Humano em sua totalidade. De forma alguma ignoraremos os casos de urgência e de parâmetro maior, que podem entrar em colapso a qualquer momento, atingindo níveis preocupantes da integridade da vida, em que há profissionais da saúde extremamente competentes em suas respectivas áreas de atuação para lhe dar com tais situações.

A pessoa que necessita de cuidados em saúde sempre deve ser o protagonista de sua vida, e devemos estar de prontidão para auxiliar no que for necessário. Mas vale lembrar que é quando a nossa biologia, a consciência e a psique entram em colapso, e não temos compreensão como indivíduo do que está acontecendo em nosso organismo, é que a nossa saúde estará comprometida em todas as suas formas, em todos os tecidos e fluidos corporais e, consequentemente, isso afetará o seu meio ambiente interno e externo.

A procura de um profissional que atua com a Osteopatia não deveria ser apenas para os problemas musculoesqueléticos, pois a nossa abordagem é centrada no indivíduo e não na doença, e na forma como o corpo pode encontrar a saúde.

Queremos contribuir para um mundo melhor por meio da Osteopatia e de seus princípios filosóficos deixados por Andrew Taylor Still. Compreender a natureza e nossa biologia nos dá a possibilidade de evoluir como indivíduo e sociedade…



Referências

HAMER, R. G. Resumen de la Nueva Medicina. Amici di Dirk, 2005.

PORGES, S. W. A Teoria Polivagal. Rio de Janeiro: Senses, 2012.

STILL, A. T. The Philosophy and Mechanical Principles of Osteopathy. Kansas City: 1902.