Entrevista: Luis Rivas, Congresso IDOT 2019

“Temos uma base científica, teórica e prática muito boa”

Luis Rivas, osteopata espanhol, foi um dos destaques do 12º Congresso Internacional Idot. O palestrante, que viaja o mundo compartilhando sua visão sobre Osteopatia, concede entrevista exclusiva e divide um pouco dos conhecimentos adquiridos ao longo da carreira.  

Revista O Osteopata – Rivas, fale um pouco sobre você…

Luis – Sou natural da Espanha, nasci em Madrid, minha mãe trabalhava em uma residência de idosos e meu pai em um hospital. Eu visitava muito meu pai no trabalho quando pequeno e assim acabei me encantando pela Medicina. Comecei a fazer Fisioterapia, porém inicialmente tinha intenção de fazer Medicina, no entanto me encantei pela Fisioterapia.

Revista O Osteopata – Como conheceu a Osteopatia?

Luis – Um grande amigo meu estava fazendo Osteopatia, e trabalhávamos um tempo juntos, foi quando ele me falou que pelo fato de eu sempre gostar da proximidade com o paciente e do tratamento manual, a Osteopatia seria encantadora. Assim, eu me matriculei e até hoje estou apaixonado pela Osteopatia.

Revista O Osteopata – Onde você reside atualmente?

Luis – Quando entrei na Osteopatia, tive a oportunidade de ser docente em uma escola de Osteopatia, e tive a oportunidade de vir ao Brasil, conheci minha esposa, nos casamos e fomos para Espanha juntos. No entanto, minha esposa não se adaptou e fomos para Alemanha, onde me encontro na cidade de Hamburgo.

Revista O Osteopata – Hoje, você exerce a Osteopatia e leciona?

Luis – Exato! Nessa carreira, tenho muito a agradecer a Deus, estou trabalhando na clínica. O dono de uma clínica onde eu trabalhei em Hamburgo é amigo do Torsten Liem, que é o diretor da escola da Alemanha, e estava procurando docentes, e meu chefe naquele momento me convidou a conhecer o Torsten Liem, e hoje faço parte do corpo docente da escola da Alemanha.

Revista O Osteopata – Como docente da escola de Osteopatia da Alemanha, você acha que existe alguma diferença na coesão de pensamentos entre os professores ou que cada um pode se expressar da sua forma?

Luis – É uma coisa que tenho que agradecer muito ao Torsten. Na entrevista sobre a vaga, eu o questionei sobre o material da aula, se haveria algum que eu deveria seguir, e ele me respondeu que cada um pode ter uma forma de pensar e se expressar, claro com foco na qualidade da formação do aluno, mas isso é importante para que os alunos percebam que a Osteopatia tem várias linhas de raciocínio, claro, respeitando as ideias chaves. Mas ele tem a mente aberta para novos caminhos e ideias dentro da Osteopatia.

Revista O Osteopata – Por dar aulas em vários países, como você visualiza o panorama atual da Osteopatia?

Luis – Quando leio artigos, vou a congressos, vejo que o nível está evoluindo muito rápido. E hoje acredito que a Osteopatia é uma ferramenta muito poderosa no sistema de saúde dos países. Claro que teremos muitas dificuldades, mas acredito que temos uma base científica, teórica e prática muito boa. Nos congressos, no Brasil, Alemanha e Espanha o nível está muito elevado e a filosofia será bem aceita pela população para a saúde.

Revista O Osteopata – Você acredita que a Osteopatia e a Ciência devem seguir juntas?

Luis – Acredito que sim, eu acho que temos muitas publicações científicas boas dentro da Medicina e com as publicações que temos, podemos fundamentar bem o que estamos fazendo hoje.

Revista O Osteopata – Se você pudesse falar algo ao osteopata brasileiro, o que diria?

Luis – Acho que o coração do brasileiro é enorme, são pessoas que tentam ajudar ao próximo e são muito esforçados. Quando ministro meus cursos, os brasileiros viajam, fazem um grande esforço para assistir, são mesmo muito esforçados. É um dos povos que conheço que mais gosto!

Revista O Osteopata – Você acha que existe muita diversificação de técnicas dentro da Osteopatia? E o ego da parte dos profissionais?

Luis – Sim, as técnicas estão se atualizando, a escola de Osteopatia da Alemanha, por exemplo, quando entrei era mais estrutural e agora está com uma corrente mais fluídica. Sobre o ego, eu concordo que hoje existe muito ego da parte dos profissionais e isso acontece em todos os lugares que conheci, todos querem ser o primeiro a chegar lá. Atualmente, o que falta no meu ponto de vista é o questionamento da parte dos alunos, se uma técnica realmente funciona daquela forma, como isso pode ajudá-lo no dia a dia.

Revista O Osteopata – Se você tivesse apenas um minuto para dar um conselho a um aluno de osteopatia brasileiro, o que diria?

Luis – Preciso apenas de um segundo: “Continuem estudando!”. As pessoas não são burras, estudem, leiam, formem-se, eu falaria isso e o resto vai vir sozinho, cada vez mais as pessoas vão atrás de bons profissionais.

Revista O Osteopata – Um lugar?

Luis – Rio de Janeiro e Tanzânia.

A Tanzânia me ensinou muita coisa sobre os animais e os seres humanos, a África me deu muita coisa pessoal e espiritualmente, pessoas com poucos recursos, felizes e que se ajudam. Acho que ao menos uma vez na vida, todas as pessoas deviam ir para África.

O Rio de Janeiro por ser uma cidade linda, minha esposa é paulista e ela que me perdoe, mas o Rio de Janeiro é lindo.

Revista O Osteopata – Um osteopata?

Luis – Para mim sempre, Jean Pierre Barral, foi o único autor que já li tudo, saia o livro e eu já lia, estava quente e eu já tinha lido. Ele foi uma grande inspiração, mesmo que hoje não compartilhe todas as ideias dele, sem dúvidas, Jean Pierre Barral fez muita coisa boa pela Osteopatia.

Revista O Osteopata – Um livro?

Luis – Tao Te Ching. A gente precisa de mais filosofia, técnicas a gente aprende na escola. Filosofia é para o coração! O livro que tenho em cima da minha mesa é Tao Te Ching, isso contribuiria até para Osteopatia essa filosofia mais profunda.

Revista O Osteopata – Uma pessoa?

Luis – Uma pessoa apenas é muito complicado, mas minha mulher mudou minha vida, é uma inspiração diária, ela se chateia às vezes comigo, quando resisto a mudar, e ela me tira muito da zona de conforto, é uma briga construtiva, que ela faz por mim, é ela, sem dúvida, minha esposa!

Revista O Osteopata – Um filme?

Luis – Uma noite na opera, assisti muitas vezes e acho um filme muito bom!

Revista O Osteopata – Uma comida?

Luis – Paella Espanhola, ultimamente não venho comendo muito, mas sem dúvida é minha favorita.

Revista O Osteopata – Real Madrid ou Barcelona?

Luis – Real Madrid sempre! Mesmo quando perde, aí digo: agora que precisamos ir lá mesmo, ajudar. Quando ganha é para festejar e quando perde, para animar. ¡Hala Madrid!

Revista O Osteopata – Além da Osteopatia, o que costuma fazer?

Luis – Tento me cuidar, tento ser marido e pai, não tenho um hobby, que gasto tempo e dinheiro. Além de osteopata, marido e pai, apenas.

“A Osteopatia tem várias linhas de raciocínio, claro, respeitando as ideias chaves”.

“Com as publicações que temos, podemos fundamentar bem o que estamos fazendo hoje”.

 “Jean Pierre Barral fez muita coisa boa pela Osteopatia”.